Coração ausente - Not with my heart

    Sarah Elizabeth Rodger

    Cia. Editora Nacional
    1956
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Biblioteca das Moças - v.125

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    Adriano Campos Roma Tardioli18/01/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Livro: Coração Ausente - Sarah Elizabeth Rodger (Biblioteca das Moças - Volume 125)

    A história de Coração Ausente começa na pequenina cidade de Little Chesapeake, no estado americano de Maryland. Aqui nós conhecemos Lucinda Tayloe, uma jovem que vive só com a mãe, numa casa antiga e grande demais para as duas. Lucinda leva a vida ajudando a mãe a administrar as finanças, e participando das atividades sociais de seu grupo de amigos da cidade. Suas amigas vão se casando uma a uma, seguindo o eterno padrão da cidadezinha, e ela mesma tem um amigo assumidamente interessado nela, Luther Dick, de quem ela gosta muito. Mas não é apaixonada por ele, e não sente nenhuma empolgação em seguir o mesmo rumo das amigas. Seu sonho sempre foi sair de Little Chesapeake, conhecer o mundo agitado e glamoroso dos filmes, e deixar pra trás aquele cotidiano monótono. Sua inesperada oportunidade aparece com a chegada de um grupo de jovens à cidade, para uma temporada de caça de patos. Lucinda conhece Stowe Wilmerding, um rapaz de família tradicional de New York, uma companhia muito divertida e cativante. O interesse entre os dois é mútuo e imediato, e depois de uma semana de passeios e divertimentos, a fim de evitar a separação quando Stowe voltar a New York, ele a pede em casamento, para que ela possa ir embora com ele. Movida pela emoção e perspectiva da tão desejada mudança de vida, Lucinda aceita e eles fogem juntos na calada da noite. No entanto, ao chegar em seu novo lar, Lucinda descobre que as coisas não serão exatamente como ela imaginava. Stowe é muito dependente de sua família, de modo que o casal passa a viver na velha mansão dos Wilmerding. Lucinda passa a ter que lidar com a frieza da sogra, que com o tempo se transforma numa crescente antipatia, além de ter que viver sob uma constante aparência de orgulho e dignidade, o que, para Lucinda, representa a maior das decepções: nada das festas e da diversão que ela sempre desejou conhecer. Somente bailes e reuniões extremamente formais e entediantes. A partir daí, conforme suas frustrações se acumulam, e conforme algumas regras são quebradas, Lucinda e Stowe passam a enfrentar uma série de desentendimentos, e não podem deixar de se questionar se aquele casamento foi realmente uma boa ideia; se o que os levou a se casar foi realmente amor; se ambos poderão ser realmente felizes juntos. E os dois terão várias surpresas, enquanto tentam de todas as formas encontrar essas respostas. Assim que eu comecei a captar a mensagem da história, comecei logo a me lembrar de Luana, de May Christie, que li no ano passado, e provavelmente foi uma das melhores descobertas recentes da Biblioteca das Moças. Ambas são histórias de moças fartas da vida monótona que levam, e que, ao se encantarem à primeira vista por um sujeito interessante, fogem e se casam, de forma totalmente impulsiva, e depois enfrentam as consequências. Mas em Luana, o sujeito em questão era um bandido; já aqui, ele é apenas tão inexperiente e irreflexivo quanto Lucinda. O relacionamento dos dois é do tipo que tem suas idas e vindas, mas não se torna repetitivo ou irritante. Aliás, aqui estão dois personagens que tomam decisões bastante erradas, mas dos quais ainda conseguimos gostar e nos identificar de alguma forma, coisa que A Outra Mulher, de Isabel Moore, não conseguiu fazer, na minha opinião. Também merece um destaque o grupo de amigas de Lucinda, de Little Chesapeake. Entre as três de maior relevância, podemos observar perfis bem distintos e muito interessantes no contexto da história. Rose-Ann é a melhor amiga de Lucinda desde a infância, e agora está prestes a se casar. Muito delicada e gentil, torce genuinamente pela felicidade da amiga, e tem a esperança de que ela também encontre o amor, e passe a encarar a vida de uma forma menos prática e racional. Barbie é a “mean girl” do grupo. Vive trocando farpas com Lucinda, e faz sempre questão de chamar a atenção para si e parecer superior de alguma forma. E por último temos Marie, que já se casou, deixou Little Chesapeake, mas voltou divorciada e sem a mesma alegria e entusiasmo de antes. Eu, particularmente, gostaria de ver um pouco mais de desenvolvimento de Marie; acho que ela teria ótimas contribuições a fazer, do seu ponto de vista de alguém que se frustrou, e parece lidar de forma sarcástica e um tanto venenosa com as amigas que ainda mantêm todas as expectativas para o futuro e para o casamento. A narrativa é bem ágil e gostosa de acompanhar, além de transmitir muito bem o clima dos anos 40, com referências à cultura pop da época, como Ginger Rogers e O Mágico de Oz, descrições dos costumes da época, como ir ao cinema e aos bares onde se poderia dançar colocando algumas moedas na vitrola, e até um breve vislumbre da problemática questão racial nos Estados Unidos da época. Vale muito a leitura, como uma divertida incursão aos tempos dos nossos avós, e quem sabe até um pouco de reflexão sobre expectativas, futuro e relacionamentos, com um casal protagonista bastante imperfeito, mas também bastante próximo de nós! Mais uma leitura que não decepcionou, nesta coleção deliciosa! ♥

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