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    Aves de Arribação -

    Antônio Sales

    UFC
    2008
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 8572821643
    Português Brasileiro
    3.2
    346 avaliações
    Leram714Lendo11Querem115Relendo0Abandonos43Resenhas4
    Favoritos0Desejados115Avaliaram346

    Aves de Arribação, de Antônio Sales, é um romance realista com pitadas naturalistas, e é também antecipatório - nos temas e matizes ideológicos - do chamado Romance de 30. Ipuçaba é uma miúda cidade sertaneja, descrita em suas singularidades e desvelada em suas mesquinharias. Sales também aproveita para exercitar sua verve anti-clerical, ao compor a figura do vigário do lugar, o padre Serrão, sujeito "despido de fervor evangélico desde sua ordenação", mantendo uma "sólida indiferença à conduta religiosa de seus paroquianos", mais preocupado com "os proventos que embolsava". Sales apresenta ainda os dois chefetes políticos do lugar, João Ferreira, chefe do Partido Conservador, que fez fortuna e conseguiu cargos por meios escusos, e o simpático chefe liberal, Major Herculano. O padre novo, o simplório Balbino, está nos avios para receber o recém-nomeado promotor de Ipuçaba, Alípio Flávio de Campos, sobrinho que ele ajudou a educar. Um dos amigos do padre Balbino, frequentador das rodas de gamão na calçada da igreja, é o coletor Asclepíades Oreste de Aconcágua Pinto que, só porque morou em Maranguape, perto da capital, e viajou até o Rio de Janeiro, sempre pontua suas conversas com a frase desdenhosa, "vocês, matutos...!". A cidadezinha fica em polvorosa com a vinda do promotor. As mocinhas casadoiras vêem no jovem e alinhado sobrinho do padre um ótimo partido para levar ao altar. Mas Alípio cai de encantos pela professora, a praciana (porque natural da capital) Bilinha. O caso não é bem de namoro, muito menos pra casar: Alípio e Bilinha, contrariando todas as normas do tempo, têm um tórrido romance erótico. Mas o promotor acaba ficando noivo é da romântica Florzinha, filha do coletor Asclepíades. Porém, o destino de Florzinha não será nem o véu, nem a grinalda. Ela há de murchar e fenecer como as flores do sertão, passado o inverno. "O noivo e a amante tinham-se ido em busca de climas mais amenos e propícios, fugindo de plaga em plaga, como aves de arribação". Vemos neste livro características do povo cearense;como o costume de montar rodas de amigos para conversarem nos finais de tardes.

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    Saul Murilo Amorim Marcondes10/01/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Ceará é assim.

    Embora não seja o tipo de literatura que mais gosto, ele mostra o Ceará sem necessariamente falar tanto da seca.

    2 curtidas

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    3.2 / 346
    • 5 estrelas13%
    • 4 estrelas22%
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    • 1 estrelas7%
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    Antônio Sales

    Antônio Sales (Paracuru, 13 de Junho de 1868 — Fortaleza, 14 de Novembro de 1940) foi um romancista e poeta brasileiro que ocupou os cargos de secretário da justiça e do interior no tempo em que General Bezerril governou o estado do Ceará, além de deputado estadual. É muito lembrado como uma das figuras mais marcantes da literatura cearense por ter fundado a Padaria Espiritual juntamente com Adolfo Caminha, Antônio Bezerra, Henrique Jorge, Juvenal Galeno e vários outros jovens intelectuais que formavam o círculo cultural de Fortaleza do fim do século XIX. A Padaria Espiritual ganhou bastante visibilidade por sua forma irônica e irreverente de criticar a "provincianidade" fortalezense da época em busca de um resgate criativo dos espaços e dos meios de cultura no Ceará, movimento que influenciou a Semana de Arte Moderna . Foi redator do jornal "O Pão", através do qual se divulgavam as ideias da agremiação literária que participava, do qual exerceu o cargo de padeiro-mor. É conhecido também por ser amigo de Machado de Assis e por jamais ter aceitado aos inúmeros convites de compor a, então em fundação, Academia Brasileira de Letras. É o patrono da Academia Cearense de Letras e foi batizado por Rachel de Queiroz como "padrinho e figura suprema das letras no Ceará" Publicou apenas um romance de estética realista regional, com traços também naturalistas, chamado Aves de Arribação, inicialmente publicado em folhetins do Correio da Manhã do Rio de Janeiro onde residia o escritor, em 1903 de 15 de janeiro a 6 de maio e não em 1902, como equivocadamente registram Dolor Barreira, Pedro Nava, Wílson Martins e Otacílio Colares. Viria a ser publicado em forma de livro apenas em 1913. Até ser reconhecido como escritor, trabalhou no comércio de Fortaleza com a precoce idade de catorze anos. Anos depois, passaria pela vida de funcionário público, político e jornalista, inclusive no Rio de Janeiro. Mas voltara à capital cearense em 1920, onde vivera até seu falecimento, em 14 de novembro de 1940. O escritor, amigo de Machado de Assis, ajudara este a fundar a Academia Brasileira de Letras, mas segundo ele, por não discursar bem, não quis dela fazer parte. Em 1892 fundou um movimento de renascença literária no Ceará chamado de Padaria Espiritual, agremiação que marcou, entre 1892 e 1898, a vida da provinciana capital do Ceará naqueles primeiros dias de República e da qual fizeram parte vários grandes autores cearenses. Obras Versos Diversos, poesias (1890) Trovas do Norte, poesias (1895) Poesias (1902) Minha Terra, poesias (1919) Aves de Arribação, romance e novela (1914)

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    Ceará, Brasil

    Antônio Sales