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    O Príncipe da Privataria (História Agora #09) - A História Secreta de Como o Brasil Perdeu seu Patrimônio e Fernando Henrique Cardoso Ganhou Sua Reeleição

    Fernando Henrique Cardoso

    Geração Editorial
    2013
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788581302010
    Português Brasileiro
    3.8
    115 avaliações
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    "O Príncipe da Privataria" retrata os dois mandatos de FHC, que vão de 1995 a 2002, as polêmicas e contraditórias privatizações do governo do PSDB e revela, com profundidade de apuração, quais foram os trâmites para a compra da reeleição, quem foi o "Senhor X" --a misteriosa fonte que gravou deputados confessando venda de votos para reeleição-- e quem foram os verdadeiros amigos do presidente, o papel da imprensa em relação ao governo tucano, e a ligação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com a CIA, além do suposto filho fora do casamento, um "segredo de polichinelo" guardado durante anos. Após 16 anos, Palmério Dória apresenta ao Brasil o personagem principal do maior escândalo de corrupção do governo FHC: o "Senhor X". Ele foi o ex-deputado federal que gravou num minúsculo aparelho as "confissões" dos colegas que serviram de base para as reportagens do jornalista Fernando Rodrigues publicadas na Folha de S. Paulo em maio de 1997. A série "Mercado de Voto" mostrou da forma mais objetiva possível como foi realizada a compra de deputados para garantir a aprovação da emenda da reeleição. O autor e o coautor desta obra, o também jornalista da velha guarda Mylton Severiano, viajaram mais de 3.500 quilômetros para um encontro com o "Senhor X". Pousaram em Rio Branco, no Acre, para conhecer, entrevistar e gravar um homem lúcido e disposto a desvelar um capítulo nebuloso da recente democracia brasileira. Palmério Dória, jornalista que trabalhou como chefe de reportagem na Rede Globo e nos jornais Folha de S.Paulo e "O Estado de S. Paulo", também é autor de "Honoráveis Bandidos" (2009), título que conta toda a história secreta do surgimento e enriquecimento da família Sarney.

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    Doney Corteletti Stinguel14/09/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Lista de Livros: O Príncipe da Privataria, de Palmério Dória

    Parte I: “Com tantos militares na árvore genealógica (tio-avô general e ministro da Guerra, tio capitão e o cargo honorífico de brigadeiro, pai e avô generais), Fernando Henrique tentou na década de 1940, por duas vezes, entrar na Escola Militar. Levou duas bombas. Também arriscou a segunda carreira do pai, que além de militar, era advogado. Então, prestou vestibular para a Faculdade de Direito. Nova bomba. O pai, general Leônidas Cardoso, ficou desgostoso. “Ele nunca vai dar para nada”, desabafou com o colega de farda Jocelyn Brasil, oficial da aeronáutica, amigo da família do autor deste livro.” * * “O sociólogo Gilberto Felisberto Vasconcellos, com sua verve peculiar, no livro O Príncipe da Moeda, de 1997, anota: Esta notoriedade intelectual merece ser objeto de uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito], porque seus livros não são mais lidos atualmente, o que causa sem dúvida espanto, pois trata-se de notoriedade intelectual baseada menos nas qualidades intrínsecas do texto (ou do pensamento) do que no marketing do “intelectual-perseguido-pela ditadura”.” * * “No momento em que todos os observadores políticos percebem que a luz de Fernando Henrique emana sinais presidenciais, olhos e ouvidos se aguçam nos repórteres mais atilados. Alguns miram na fazenda de FHC e Sérgio Motta e acham uma discrepância entre o preço “real” e aquele declarado no Imposto de Renda: para a Receita Federal, é uma fazendinha de não mais que US$ 2 mil; mas o valor de mercado bate nos US$ 400 mil. Um repórter faz a matéria e envia para a matriz de seu jornal em São Paulo. Apenas dois ou três leitores ficaram informados de seu conteúdo, antes que ela jazesse na gaveta do editor. Os leitores (e eleitores) da publicação ficaram sem saber que, desde 1988, Fernando Henrique e Sérgio Motta dividiam a propriedade no distrito de Serra Bonita, município de Buritis, Minas Gerais, a duas horas e meia de viagem, por terra, da capital federal. Terras boas para o cultivo de arroz. Algumas publicações estavam inclusive saindo em defesa preventiva de FHC. Veja e O Globo, mesmo que nada tivesse sido publicado contra ele, optaram por favorecê-lo com notas de apoio explícito. Os magnatas da mídia, portanto, esqueceram a fazendola de 1.046 hectares, equivalente a um décimo da área urbana de São Paulo, com valor declarado ao Fisco duzentas vezes menor que o valor verdadeiro.” * * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2014/09/o-principe-da-privataria-parte-i.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte II: “Antônio Carlos Magalhães (ACM), era médico, empresário e político baiano, déspota esclarecido. Mandava na Bahia desde a ditadura (1964-1985). Mas cercava-se de bons técnicos e paparicava artistas. Apelidado Toninho Malvadeza, rompeu com o esquema militar que impunha Maluf em 1985 como presidente eleito pelo Colégio Eleitoral. Em campanha, hospedado num hotel em Salvador, Maluf teve de subir centenas de degraus até seu apartamento: ACM havia cortado a energia no bairro. Nos anos 1950, na Câmara Federal, o alagoano Tenório Cavalcanti acusa o presidente do Banco do Brasil, baiano Clemente Mariani, de desviar verbas. ACM aparteia dizendo que Tenório era “ladrão”. O alagoano saca o revólver e faz ACM tremer: “Atira!” Tenório ri, recolhe o revólver e diz: “Só mato homem.” Costurou a aliança PFL-PSDB que elegeu FHC. O jornalista Sebastião Nery dizia que ACM era o presidente noturno e FHC, o primeiro-ministro diurno. O atrito entre os dois precipitou o Proer, programa de salvação do sistema financeiro, em 1995. O banco baiano Econômico entra em crise (mandou para fora mais de US$ 300 milhões e não honrou cheque administrativo de R$ 100 milhões). FHC ia intervir e ACM com sua tropilha ruma para o Alvorada. FHC recua e surge o Proer, “buraco negro” que em 16 meses já havia consumido mais de US$ 40 bilhões. Moral: diante de ACM, FHC não era Itamar.” * * “Em 1998, Pedro Malan preparou discurso ininteligível para FHC pronunciar como candidato à reeleição, comprometendo-se a cumprir exigências do FMI que contrariavam a promessa de acabar com o desemprego. Bendito “grampo” do BNDES: numa gravação, vemos Malan pedir a Lara Resende para submeter o texto à aprovação de Stanley Fisher, mandachuva do FMI.” * * Mais em: https://listadelivros-doney.blogspot.com/2014/09/o-principe-da-privataria-parte-ii.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte III: “O neologismo privataria nasceu na cabeça do jornalista ítalo-brasileiro mais ítalo que brasileiro Elio Gaspari. Não está nos dicionários, mas já merecia ter entrado. Mistura privatização com pirataria e se refere ao esquema adotado na Era FHC para entregar, em mãos privadas, empresas estatais – ou seja, do governo, por extensão do povo brasileiro; e isto, a pulso, reprimindo manifestantes contrários; cooptando a mídia em peso; vendendo empresa por preço menor do que o dinheiro que ela tinha em caixa; pondo dinheiro do BNDES na mão do comprador, ou seja, “pagando” para o estrangeiro “comprar”; com indícios e mesmo provas de que rolaram desvios na casa dos bilhões, e de que muita gente ficou com as chaves de cofres em paraísos fiscais que guardam fortunas.” * * “Nos diálogos grampeados, nota-se a promiscuidade entre público e privado, com Pérsio Arida tratando de negócios com Lara Resende – Pérsio Arida do banco privado Opportunity e Lara Resende do estatal BNDES. O ministro Mendonça de Barros quer convencer Jair Bilachi, presidente da Previ, a pôr dinheiro no consórcio do Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil não é pouca coisa: chegaria em 2011 ao 24º lugar entre os fundos de pensão do mundo, com patrimônio de US$ 92 bilhões. E um diálogo confirma a promiscuidade; Mendonça diz a Jair: “Estamos aqui eu, André, Pérsio, Pio...” – este último é Pio Borges, vice-presidente do BNDES. Tudo em casa. Mendonça de Barros, em telefonema para Ricardo Sérgio, do Banco do Brasil, diz que o Opportunity, para participar do leilão das teles, está com “um problema de fiança”. Pergunta: “Não dá para o Banco do Brasil dar?” Responde Ricardo Sérgio rápido no gatilho: “Acabei de dar.” O consórcio de Daniel Dantas teve o aporte de R$ 874 milhões. Ricardo Sérgio então acrescenta frases reveladoras: “Nós estamos no limite da nossa irresponsabilidade... Na hora que der merda, estamos juntos desde o início.” Na verdade, mesmo não estando acima do bem e do mal, podem contar com a mídia para assim sentir-se. “Estamos com o quadro praticamente fechado”, diz Mendonça de Barros quando FHC lhe telefona para saber como andam os preparativos para o leilão das teles. E comentam o tom elogioso com que os meios de comunicação tratam as privatizações. Diz Mendonça: “A imprensa está muito favorável, com editoriais”. “Está até demais, né?”, responde FHC rindo, “estão exagerando até”.” * * “Serra e FHC, não digo que são inimigos, mas adversários sempre foram. FHC não gosta do Serra e vice-versa. Mas ambos gostam do planalto paulista, do neoliberalismo, ambos desgostam do povo brasileiro.” (Mauro Santayana) * * Mais em:

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    Fernando Henrique Cardoso

    É um sociólogo, cientista político, professor universitário, escritor e político brasileiro. Foi o 34º presidente do Brasil (1995-2003). Graduou-se em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), tornando-se, mais tarde, professor emérito da instituição. Lecionou também no exterior, notadamente na Universidade de Paris. Natural da cidade do Rio de Janeiro, mudou-se com sua família para a cidade de São Paulo, onde se casou em 1953. Foi perseguido depois do golpe militar de 1964, exilando-se no Chile e na França, voltando ao Brasil em 1968. Desenvolveu uma importante carreira acadêmica, tendo produzido diversos estudos sociais premiados. Foi funcionário da CEPAL, membro do CEBRAP, senador (1983-1992), Ministro das Relações Exteriores (1992), Ministro da Fazenda (1993-1994) e presidente, pelo PSDB, que ajudou a fundar, por dois mandatos consecutivos.

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    Rio de Janeiro, Brasil

    Fernando Henrique Cardoso