A Borboleta é um conto curto e singelo, que nos apresenta ao mundo de Edrim, um mundo onde os deuses criados pelo equilíbrio de luz e trevas possuem vícios e defeitos, à semelhança do panteão grego, e para onde os filhos destes deuses, cujos corações pendem para a escuridão e o ódio, foram exilados muito tempo atrás.
A história se passa em uma época de guerras entre homens e elfos, quando, apesar das trevas que pairam sobre o lugar, alguns corações bons emergem e desejam a paz e a justiça. Neste lugar, as pessoas que se apaixonam por alguém que não seja de sua raça são perseguidas e mortas, e assim conhecemos Lyriel, filha de uma mortal com um elfo, cujos pais são assassinados por causa deste amor. Para salvar a bebê a mãe de Lyriell faz um sacrifício, e por causa disso a única deusa que ainda conserva apenas o amor pelo povo a transforma em uma dragoa de beleza incomparável, com olhos de safira e asas de borboleta, um ser que os homens até então não conheciam. É contado que os deuses têm apenas uma chance de criar um dragão, e, para tanto, precisam sacrificar um ser humano escolhido, por isso essas criaturas são tão raras.
Lyriell é salva e criada por uma rara família mista, e cresce junto com o meio-elfo Eldar, e percebemos que há mais sentimentos entre os dois do que o de irmãos de criação. Mas, quando a jovem vence um antigo temor, ela se lembra do que aconteceu no dia em que se separou de sua mãe, e decide sair pelo mundo em busca de justiça. Torna-se, então, uma paladina, a “guerreira da borboleta”, pois, estranhamente, uma grande borboleta azul a acompanha por onde quer que ela vá, sem que nem mesmo ela saiba a razão.
Tudo muda, no entanto, quando a misteriosa borboleta adoece e Lyriell se vê completamente sozinha no mundo. A saudade de casa a faz retornar e encontrar o que deixou para trás.
O conto é delicado como um conto de fadas, uma história de amor que claramente tem o objetivo de sugerir muitas outras histórias. Ele possui uma carga emocional interessante, que prende o leitor e o faz simpatizar com os personagens mesmo a história tendo tão poucas páginas. Os dragões são muito diferentes e os métodos de suas criações são escolhidos pelos deuses, por isso cada um possui uma característica e uma personalidade própria. Uma leitura agradável, que com certeza vai cativar o leitor e fazê-lo desejar ver mais histórias no mundo de Edrim.