O ano era 1942. Fortaleza vivia uma ascensão política e convivia também com o mal da guerra mundial que assolava a Europa. Em um jornaleco simples da cidade trabalhava Ulisses, um poeta e jornalista, atormentado por lembranças de um futuro distante e pela amnésia de seu presente; que foi aos poucos descobrindo quem era e em que estava metido.
O livro traz aos moradores de Fortaleza, em especial, um ar de nostalgia, com suas bem detalhadas descrições de praças e ruas do centro da cidade onde a maior parte do livro é ambientada. Não creio que leitores do Brasil irão ter problemas ao se situar, mas não saberão como eu a importância de um pastel quentinho com caldo de cana em frente à Praça do Ferreira, local onde na época era cercado de intelectuais.
Trazendo uma temática de guerra e espionagem, onde nazistas estariam aqui para transformar o Brasil em um de seus braços na disputa, uma organização criminosa recrutava jovens com passado escuso para participar desse grupo ou até mesmo manipulavam pessoas para poder fazer teste biológico em crianças. Em contra partida, um grupo antinazismo onde nosso herói Ulisses e seus companheiros Padre, Genaro e uma francesinha charmosa chamada Camille lutavam com todas as garras para manter esses soldados longe de nossa cidade e sempre com os olhos abertos para toda a possível ameaça que surgisse; como um suspeito circo alemão que andava na capital.
Entre idas e vindas do futuro, Ulisses utilizava essas viagens no tempo para poder buscar mais dicas de como ajudar a expulsar os nazistas de sua cidade e permanecer vivo também.
Toda história traz uma linguagem bem formal o que é um ponto forte por se tratar da época no qual o livro se ambienta; um outro ponto positivo são os capítulos curtos, um cuidado muito especial na arte da capa e na gravura que se estendem pelo livro anunciando cada novo capítulo.
No mais, os personagens são muito bem elaborados, cada um com seus minuciosos detalhes e segredos, cada um agindo como proposto, sem que em momento algum você pudesse notar alguém indo de encontro a sua natureza; descrevendo até traços psicológicos dos personagens como exemplo: o Inspetor da polícia Carlos, que tinha sua mania de arrumação de mesa muito peculiar.
Surpresa é a palavra que escolhi para esse livro. Surpresa do começo ao fim, uma grande aventura de tirar o fôlego e de deixar o leitor instigado a devorar capitulo por capitulo até chegar ao “gran finale” que talvez seja a maior de todas as surpresas, e provavelmente a menos agradável de todo o livro (como foi para mim).
Fico por aqui esperando acordar em Outros tempos onde a Vida seja repleta de aventura, e menos dolorida.
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Outros Tempos é livro de minha terra natal, Fortaleza, escrito pelo Cearense Leonardo Nóbrega, que além de talentoso escritor é psicanalista e professor de Geografia. Já em seu primeiro livro me trouxe a certeza de que ele é um grande escritor e que sua segunda obra será uma delicia como essa foi!