Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições0
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas0
    • Leitores8
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    O Marceneiro e o Poeta -

    Yuri Vieira

    KARALOKA
    2013
    29 páginas
    58m
    ISBN-13: 1230000111869
    Português Brasileiro
    3.3
    3 avaliações
    Leram4Lendo0Querem4Relendo0Abandonos0Resenhas0
    Favoritos1Desejados4Avaliaram3

    Antônio estava debruçado sobre um banco de madeira rústico, que ele, com a expressão atenta de um cirurgião, colocara de ponta-cabeça para melhor avaliar o estrago causado pelos cupins. Com um formão, ia seguindo e alargando as trilhas abertas pelos insetos, como quem ara o solo antes da semeadura. O banco era pesado, comprido – comportaria umas cinco ou seis pessoas sentadas lado a lado -, e tinha orifícios de cupim por toda sua extensão. O Sol das nove horas da manhã, um Sol de outono, já iluminava praticamente todo o átrio da casa, fazendo luzir as lascas de madeira que se desprendiam da parte inferior do assento, enquanto eu, sem esconder minha admiração por aquela sem-cerimônia com um objeto tão estimado por sua proprietária, ia observando o desenrolar daquela tarefa milenar. Eu ainda tinha em mente a missão que recebera, mas o ar misterioso e reticente daquele marceneiro, suas maneiras graves e seu olhar duro, despertavam minha curiosidade para além da tarefa que me fora incumbida. Ao contrário da escritora Hilda Hilst, eu não sentia o menor receio pela presença daquele desconhecido de meia-idade, um negro de baixa estatura, roupas surradas e ar circunspecto. No entanto, ela era a proprietária da casa e tinha todo o direito de saber quem era seu novo hóspede. Até entrar naquele pátio árabe, eu sequer sabia que se tratava de um artesão. Sentia, sim, um interesse crescente por sua história, afinal, dificilmente davam às praias da Casa do Sol pessoas desprovidas de experiências, valor e espírito. Por quais meios, por quais acasos e destinos ele teria ido parar em nosso refúgio de escritores?

    Estatísticas

    Avaliações

    3.3 / 3
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas0%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas33%
    • 1 estrelas0%
    Yuri Vieira profile picture

    Yuri Vieira

    Sou um escritor e cineasta paulistano radicado em Goiânia. (Pois é, sô...) Passei a infância e a adolescência entre São Paulo, Rio de Janeiro e a fazenda da minha avó materna em Goiás. Morei em Latacunga, no Equador, onde me tornei andinista, tendo escalado, entre outros, os vulcões ativos Guagua Pichincha (4800m), Tungurahua (5060m) e Cotopaxi (5890m). Foi nesse país que publiquei, em espanhol, no jornal El Día, meus primeiros contos e artigos. Entre 1992 e 1997, estudei na Universidade de Brasília — onde, entre outras coisas, cursei cinema com Nelson Pereira dos Santos e teoria e crítica literária com Flávio Kothe — e, após residir durante dois anos com a escritora Hilda Hilst (de quem fui secretário e webmaster), trabalho hoje como cronista, roteirista e diretor de audiovisual. Publiquei meu primeiro livro A Tragicomédia Acadêmica – Contos Imediatos do Terceiro Grau em 1998, o qual recebeu elogios de Bruno Tolentino, Millôr Fernandes, Lygia Fagundes Telles, Olavo de Carvalho e Ryoki Inoue. A esse livro, seguiram-se outros quatro (ver abaixo). Atualmente, tenho contratos com a Vide Editorial e com a Editora Record. Em Abril de 2007, dirigi Espelho, meu primeiro curta-metragem de ficção, o qual recebeu o prêmio de Melhor Direção no III FestCine Goiânia e — além de ter sido selecionado pelos festivais Cineme-se 2008 (Santos-SP) e VII Goiânia Mostra Curtas — foi também convidado pela mostra No Siesta: Fiesta! (Tromsø, Noruega, 2009) e pela mostra Verão Cinema e Outras Coisas (Costa da Caparica, Portugal, 2009). (Segundo o curador de um festival mineiro, meu curta-metragem foi rejeitado por outros festivais autóctones porque, a certa altura, o protagonista diz: "Aposto que esse filme foi feito com dinheiro público: é por isso que este país não vai pra frente!".) A peça que escrevi a quatro mãos com a diretora Miriam Virna — Admirável e Só para Selvagens (uma adaptação do livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley) — foi selecionada pelo Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília (2009) e, em 2011, esteve em cartaz no SESC Copacabana e no Teatro Municipal do Jockey, no Rio de Janeiro. Em 2008, participei como debatedor do Encontros de Literatura Contemporânea, em São Paulo, organizado por Julio Daio Borges e pela Casa Mário de Andrade. Em 2015, nos Estados Unidos, participei como debatedor do II Encontro de Escritores Brasileiros na Virginia, organizado pelo filósofo Olavo de Carvalho. Sou ainda colaborador bissexto dos sites Mídia Sem Máscara e Digestivo Cultural. (Em anos pregressos, fui colunista do Caderno Pop do jornal O Popular e cronista das revistas da Editora Price.) Também ministro cursos de roteiro e direção de curtas-metragens. (Sobre minhas experiências como auxiliar de escritório, militante ambientalista, mochileiro, "espeleólogo", vendedor de porta em porta, raver, assistente de produção e sócio de estúdio fotográfico, falarei oportunamente... em minha ficção.)

    8 Livros
    12 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Yuri Vieira