Marcoré - Prêmio Romance da Academia Brasileira de Letras

    Antonio Olavo Pereira

    Arqueiro
    2013
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788580412123
    Português Brasileiro

    O protagonista é o oficial-maior do cartório da cidade, um homem introspectivo que se vale de seu privilegiado posto de observação – aonde as notícias sobre nascimentos, mortes, casamentos e acordos comerciais chegam em primeira mão – para especular sobre as motivações ocultas das pessoas e refletir sobre a condição humana. Consciente da precariedade da existência, ele enxerga a vida com um pessimismo temperado com compaixão. O drama central da narrativa, no entanto, se desenrola na vida pessoal do oficial-maior, dentro da casa dos sogros – onde mora –, no convívio com a doce e frágil esposa, Sílvia, e nas dificuldades de relacionamento com a sogra irascível. A sufocante rotina familiar acaba sendo quebrada por uma notícia surpreendente que irá provocar mudanças inesperadas para todos: depois de dez anos de casamento, Sílvia descobre que está grávida do primeiro filho, Marcoré. Preciso e econômico na linguagem, Antonio Olavo Pereira demonstra um profundo conhecimento da natureza humana ao criar personagens extremamente verossímeis que parecem compor um documento da vida familiar brasileira.

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    Waldir Figueiredo Reccanello09/12/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Vida de xenxéns, composta de episódios miúdos, banais.

    Conquanto desconhecida do grande público, Marcoré não é uma obra qualquer, o que já de início se vê, nesta edição específica, pela citação de excertos críticos feitos por nomes como Rachel de Queiroz, Gilberto Freyre e José Lins do Rego, e pelo posfácio escrito por ninguém menos que Antonio Houaiss (sim, aquele do dicionário). À obra, pois! === De aspecto inicialmente enfadonho, com o autor-protagonista dissertando em tom memorialista sobre os dramas entre os muitos personagens e a lenta e pacata rotina diária da pequena burguesia do lugarejo interiorano do estado progressista onde vive, o livro nos insere nas mudanças trazidas à vida de todos pela notícia de que sua mulher, após dez anos de um casamento infértil, está grávida. Centrada, desde então, na tão esperada vida do filho, a narrativa nos apresenta histórias de solidão, de trabalho, de casamentos, de famílias que se formam e se desfazem, da religiosidade local (no mais das vezes praticada mais por buniteza que por percisão), de rivalidades políticas, de intrigas amorosas, de doenças e de mortes... mas, principalmente, somos mergulhados na experiência do, ao final, frustrado amor paternal do protagonista por seu filho Marcoré (Marco Aurélio), amor este que, aparentemente, nunca conseguiu sentir de verdade por outras pessoas, nem mesmo sua mulher e sua mãe. E, por meio dessa "vida de xenxéns, composta de episódios miúdos, banais", e usando de uma linguagem precisa, enxuta, correta e sóbria, o autor nos apresenta o que enxerga como a triste condição humana: "a de nascer, crescer e morrer entre equívocos, incompreensões, buscas e sofrimentos, sem encontrar uma razão de ser", sobretudo para os medianos e medíocres a quem não coube o dom de a graça se revelar.

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