Os licanos existem desde os primeiros relatos da história. São pessoas infectadas com um agente que ataca o cérebro e são capazes de se transformar em lobos. Dentre essas pessoas, existe um grupo extremista intitulado Resistência, que lançou ataques terroristas contra o governo exigindo mudanças. Dentre esses ataques está uma série de atentados a aviões, onde em um deles Patrick Gamble sai como o único sobrevivente e é eleito pelo país como o Menino-Milagre.
Como retaliação a esses ataques, o governo entra numa caçada aos licanos em que os pais de Clair Forrester são mortos. No entanto, ela consegue fugir se transformando e vai morar com a tia. Devido a exaltação da população que exigia medidas mais duras, o governador Chase Williams se sente pressionado e, mesmo assim, resolve tirar vantagem da situação jurando que se for eleito presidente protegerá o país da ameaça que aterroriza a todos os cidadãos americanos. Mas para seu infortúnio, ele acaba se tornando em algo que antes era seu maior alvo.
Em “Lua Vermelha”, o que poderia ser mais uma típica história de lobisomens, acaba se tornando algo bem mais complexo, onde essas criaturas míticas são seres humanos e o que deveria ser aterrorizador, é citado como uma doença incurável. Sem abandonar os elementos clássicos das histórias de lobisomens, Benjamin Percy trás para nós um modo de inclusão dos personagens, onde todos vivem de modo comum e aqueles que têm os genes de lobo têm de superar preconceitos e aceitação dos demais.
Trazendo um cenário político muito forte para o seu enredo. Vemos que se por um lado alguns estão tentando impor leis para que os licanos sejam exterminados, alegando que eles não são humanos e que a sociedade não poderá viver em, já que os humanos vivem com medo de que sejam atacados. Por outro, vemos uma parcela de pessoas que querem ser respeitados como iguais, que exigem ter os mesmos direitos e que pedem para que esse medo de pessoas infectadas acabe.
Os personagens de Benjamin Percy têm uma personalidade muito forte, e olhe que são muitos! Além disso, uma das coisas mais impressionantes de sua história é a riqueza de detalhes que ele transmite através de sua escrita. O modo como Percy descreve como os genes são e as conseqüências de ter essa modificação genética são incríveis. Você sente como se fizesse parte daquela realidade, entende o modo como a vida se passa. É uma escrita realmente envolvente.
Existem tantos conflitos envolvendo os personagens que eu acabei por ficar confusa diante de tantos acontecimentos, mesmo eles sendo mostrado de vários ângulos, sendo narrados por vários personagens. Mas é claro que isso não compromete nenhum pouco a qualidade da leitura, pois a abordagem, como eu já havia dito antes, nos coloca dentro da história.
Embora seu final tenha deixado tantas perguntas no ar, foi justamente esse o ponto que deixou a minha curiosidade ativa por mais tempo que deveria. Será que Percy escreverá outro livro para dar continuidade a essa grande e emocionante história? Espero que sim. Em suma, espero que todos que forem se aventurar por essas páginas aproveitem a leitura e embarque nesse mundo apocalíptico sensacional que é “Lua Vermelha”.