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    Anésia Cauaçu -

    Domingos Ailton

    Via Litterarum
    2011
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    16 avaliações
    Leram34Lendo13Querem265Relendo0Abandonos1Resenhas0
    Favoritos2Desejados265Avaliaram16

    Sim, uma vez mais, o regionalismo: Anésia Cauaçu, romance do jequieense Domingos Ailton, que o leitor terá o prazer de ler a seguir. Mas sendo este o ''leitor informado'' de que nos fala Umberto Eco, em Sobre a literatura (2003), certamente poderão advir-lhe uma certa desconfiança e uma pergunta irrefreável: regionalismo cabe dentro da ficção pós-modernista? Eu lhe respondo que sim, que não são incompatíveis o de de-dentro e o de-fora. Complementam-se. Um está no outro. Sempre foi assim, sempre será. Ainda mais hoje com o Pós-modernismo e sua poética da inclusão. Haja vista para a obra dos também baianos João Ubaldo Ribeiro, Antônio Torres e Euclides Neto, este último, ''grapiúna'', injustamente desconhecido, apesar de sua admirável força telúrica, social e ficcional. Deste modo, Anésia Cauaçu tem um pé na História, outro na ficção. Aliás, como quer o Pós-modernismo, que não exclui (Como poderia?) o passado do presente e do futuro. Daí a ''metaficção historiográfica'', conhecido sintagma de Linda Hutcheon, em Poética do pós-modernismo (1991). Assim, a conterrânea do Autor, que está na História de Jequié e da Bahia, transforma-se em personagem ficcional. Mais: Anésia Cauaçu atua como protagonista e, neste sentido, tem a ver, novamente, com o Pós-modernismo. Vale dizer, a mulher se impondo, tendo vez e voz. Certo, Maria Moura, de Memorial de Maria Moura (1992), de Raquel Queirós, e Albertina, de A enxada e a mulher que se venceu o seu próprio destino (1996), de Euclides Neto - para citarmos apenas duas outras protagonistas ''marginais''- precedem Anésia, como representação ficcional da mulher pós-moderna, ainda que vindas do mundo rural e pela pena, melhor, pelo teclado de um homem. Isto, por ora, é o de menos.O de mais é o que vem pelo plano do conteúdo do romance: a natureza e a cultura humanas e não humanas. Sim, uma vez o regionalismo. Mais isto não implica pensarmos em xenofilia, em xenofobia. Neste passo, nunca é demais lembrarmos o russo Tolstoi: ''Canta a tua e serás universal''. Do romance regionalista-histórico Anésia Cauaçu, do frade Domingos Ailton, não direi mais nada nesta orelha: não tenho o direito de tirar do leitor o prazer do texto, que sempre fala melhor sobre si.

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    Domingos Ailton

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