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    Momentos de vida - Um mergulho no passado e na emoção

    Virginia Woolf

    Nova Fronteira
    1986
    254 páginas
    8h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    17 avaliações
    Leram24Lendo4Querem72Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos0Desejados72Avaliaram17

    Reune os textos autobiográficos mais importantes de Virginia Woolf. São cinco artigos nos quais ela fala da sua infância e juventude com o poder de análise de uma mulher profundamente sensível e muito culta.

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    Lucas Petry Bender picture
    Lucas Petry Bender01/07/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Alguns trechos

    Trechos que destaco: “(...) embora eu ainda me caracterize por receber esses choques repentinos [momentos de profunda percepção existencial], eles agora são sempre bem-vindos; passada a primeira surpresa, sempre sinto instantaneamente que eles são bastante valiosos. E assim, chego à conclusão de que o que faz de mim uma escritora é a capacidade de receber choques. Arrisco-me até a afirmar que, no meu caso, o choque é imediatamente seguido do desejo de explicá-lo. Sinto que recebi um golpe; mas não é, como eu pensava quando criança, simplesmente um golpe de um inimigo escondido por trás do algodão cru da vida diária; é ou vai tornar-se uma revelação de alguma espécie; é um sinal de que há alguma coisa real por trás das aparências; eu a torno real colocando-a em palavras. É somente colocando-a em palavras que eu a totalizo; essa totalidade significa que ela perdeu o poder de me machucar; dá-me um grande prazer, talvez porque ao fazê-lo afasto a dor, juntando as partes separadas. Talvez esse seja o maior prazer que eu conheça. É o êxtase que sinto quando, ao escrever, tenho a impressão de estar descobrindo o que faz parte do quê; fazer uma cena ficar boa; fazer um personagem tomar forma. Disso, extraio o que eu chamaria de uma filosofia; de qualquer modo, é uma ideia fixa minha; que por trás do algodão cru está escondido um desenho; que nós estamos – isto é, todos os seres humanos estão - ligados a isso; que o mundo é uma obra de arte; que nós somos parte de uma obra de arte. Hamlet ou um quarteto de Beethoven é a verdade a respeito dessa imensidão que chamamos mundo. Mas não existe Shakespeare, não existe Beethoven; e nem certamente existe Deus; nós somos as palavras; nós somos a música; nós somos a própria coisa. E percebo isso quando levo um choque. “Essa minha intuição - é tão instintiva que parece dada a mim, e não produzida por mim – certamente passou a moldar a minha vida desde que vi a flor no canteiro junto à porta da frente, em St. Ives. Se eu estivesse pintando a mim mesma, teria de encontrar alguma coisa – uma medida, eu diria – que representasse essa ideia. Ela prova que a nossa vida não se limita ao nosso corpo e ao que dizemos e fazemos; vivemos o tempo todo em relação a determinadas medidas ou ideias de fundo. A minha é de que existe um desenho por trás do algodão cru. E essa concepção me afeta todos os dias. Provo isso agora, escrevendo a manhã inteira, quando poderia estar passeando, fazendo compras, ou aprendendo a fazer alguma coisa que será útil se a guerra vier. Sinto que, escrevendo, estou fazendo algo muito mais necessário do que qualquer outra coisa.” (pág. 84-85) “Mas, qualquer que seja a razão, acho que criar cenas é o meu jeito natural de apreender o passado. Uma cena sempre vem à tona; ordenada; representativa. Isso confirma a minha ideia instintiva – ela é irracional; não admite discussão - de que somos recipientes vedados flutuando naquilo que se convencionou chamar realidade; em determinados momentos, sem nenhuma razão, sem nenhum esforço, o dispositivo de vedação se rompe; a realidade invade o recipiente; isso é uma cena – pois elas não teriam resistido por tantos anos se não fossem feitas de algo permanente; isso é uma prova de sua ‘realidade’.” (pág. 164) “Quando afirmo que, embora nada que se possa chamar de aventura me tenha acontecido desde a última vez que ocupei essa importante e incômoda cadeira, eu ainda pareço para mim própria um indivíduo com uma ânsia enorme, inesgotável - um vulcão em eterna erupção - será que quando digo isso, falo apenas por mim mesma? Será que estou sozinha no meu egocentrismo, quando digo que nunca a luz pálida da aurora entra filtrada pelas persianas do número 52 da Tavistock Square, sem que eu abra os olhos e exclame: ‘Puxa! Aqui estou eu novamente!’ - nem sempre com prazer, muitas vezes com dor; às vezes com um espasmo de intensa aversão, mas sempre, sempre com interesse?” (pág. 234)

    3 curtidas

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    4.4 / 17
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    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas12%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Adeline Virginia Stephen Woolf profile picture

    Adeline Virginia Stephen Woolf

    Estreou na literatura em 1915 com um romance (The Voyage Out) e posteriormente teria realizado uma série de obras notáveis, as quais lhe valeriam o título de "a Proust inglesa". Faleceu em 1941, tendo cometido suicídio. Virginia Woolf era filha do editor Leslie Stephen, o qual deu-lhe uma educação esmerada, de forma que a jovem teria frequentado desde cedo o mundo literário. Em 1912, casou-se com Leonard Woolf, com quem funda, em 1917, a Hogarth Press, editora que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia Woolf apresentava crises depressivas. Em 1941, deixou um bilhete para seu marido, Leonard Woolf, e para a irmã, Vanessa. Neste bilhete, ela se despede das pessoas que mais amara na vida, e se mata de forma triunfante.

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    1.585 Seguidores

    Adeline Virginia Stephen Woolf