O julgamento de Lúcifer -

    Adriano Moura

    Novos Talentos da literatura brasileira
    2013
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788542800869
    Português Brasileiro

    Três líderes religiosos convidam Lúcifer a participar de um programa de TV. No estúdio da BGTV, tentam convencê-lo a assumir a responsabilidade por crimes praticados pela humanidade nos últimos dois mil anos. Pedofilia, charlatanismo, tortura e corrupção são crimes cometidos por personagens que se dizem portadores da palavra de Deus, o que o diabo desmente com sua astúcia e um controle remoto capaz de controlar TVs, computadores e celulares ao redor do mundo. O julgamento de Lúcifer é um reality show surrealista em forma de livro, ou um romance que pode ser encenado ou lido em voz alta, porque nasceu no teatro e não esconde essa identidade. Como pode também, sob uma luminária, ser motivo para reflexões silenciosas. Com uma linguagem repleta de metáforas e simbologias, o romance faz referências à cultura pop, bíblica e literária para apresentar personagens que transformam a vida em ficção a fim de justificar seus atos. Caberá ao leitor escolher em quem ou em quê acreditar.

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    Juliana Xavier12/01/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O Julgamento de Lúcifer

    O livro me conquistou no primeiro parágrafo do prólogo, que dizia que o personagem principal estava em Florença exclusivamente para ver o Davi, de Michelangelo. Tive que reconhecer que ele sabia o que admirar. O Davi é um dos maiores exemplos de beleza que já vi. Fiquei meia hora de boca aberta, só olhando para ele. No final do prólogo, senti arrepios. A última frase dele me surpreendeu e me chocou. Em O Julgamento de Lúcifer, o diabo é convidado para um reality show. O objetivo da produção é que ele assuma a culpa por todo o mal que atinge a humanidade. Querem provar que o homem é, por natureza, bom; que a influência de Lúcifer é que causa todos os males. Mas, surpreendentemente, ele se recusa a fazer isso. Diz que nunca interferiu em nenhum acontecimento da Terra, que só esteve lá duas vezes: uma para tentar Jesus e outra para tratar de assuntos particulares. Seus acusadores no programa são os primeiros a terem seus pecados revelados. Apesar de, atualmente, serem grandes líderes religiosos, têm um passado do qual não conseguem se orgulhar. Por mim, tudo bem expor o fato de que todo ser humano tem um lado ruim. Eu estava encantada com a narrativa até quase o final do livro. Não vou contar, claro, estragaria a leitura de vocês. Mas acho que o autor realmente exagerou na dose. Não é preciso ser fanático para achar esse final ofensivo. Se bem que eu acho que algumas pessoas não o verão como ofensivo e, sim, como justo. Depende da percepção e das crenças de cada um. O Julgamento de Lúcifer nasceu no teatro. Durante a leitura eu ficava imaginando como seria vê-lo encenado (a história foi encenada antes de virar livro). Acho que deve ter sido uma boa peça, o texto é fácil de ser visualizado. O livro é bem curto, tem só 86 páginas, portanto, a leitura é bem rápida. Não percebi erros de ortografia, e gostei muito da capa. Só acho, mesmo, que o final estragou a história, que estava indo tão bem. "Todo mundo tem uma escolha, mas é preciso coragem para escolher o certo. O certo, às vezes, implica renunciar à liberdade ou à vida, preço caro demais para os covardes."

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