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    Voando pela noite - (até de manhã)

    André Giusti

    7 Letras
    1996
    177 páginas
    5h 54m
    ISBN-10: 8585625635
    Português Brasileiro
    4.3
    4 avaliações
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    Favoritos0Desejados1Avaliaram4

    “O drive-in não passava de um terreno baldio e escuro, cheio de árvores. O proprietário, sem dinheiro para construir um motel, ergueu uma porção de boxes separados por muros de cimento, onde se estacionava para namorar. O preço era uma bagatela e dava para ficar ali até o amanhecer. A única exigência era entrar com os faróis baixos para não iluminar nenhum par de peitos no carro dos outros. – Onde fica a tela desse negócio? – Evelyn perguntou. – Na sua imaginação. – ele respondeu, sem acreditar que ela fosse tão inocente. – Mas e o filme? – ela insistiu. – É o mesmo. Há milhões de anos. – As pessoas vêm aqui para transar? – Não necessariamente. – Mas num lugar escuro como esse, um homem e uma mulher não ficam dentro do carro apenas conversando e escutando rádio… – Provavelmente não. – Então o que a gente vai fazer? – Conversar e escutar o rádio. O que você acha? – Não acho legal. – Então, só resta uma opção. Ela sorriu. Chegou mais perto dele. Evelyn tinha os seios lindos. Talvez mais lindos que os de Maggie.”

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    Universo dos Leitores picture
    Universo dos Leitores18/10/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Voando pela noite é um livro de contos. Os contos, apesar de independentes e diferentes, apresentam pontos em comum: abordam a juventude das décadas de 80 e 90, falam da descoberta da liberdade, da independência, da sexualidade e dos prazeres da vida. O interessante é que as diversas situações colocadas pelo escritor acontecem em um período em que a internet e as facilidades de comunicação não existiam. Nos contos, as pessoas se comunicavam por telefones fixos, por encontros aleatórios nas ruas e, algumas vezes, por coincidência do destino. Com situações inusitadas e diálogos bem construídos as histórias criadas por André Giusti nos conduzem a uma realidade diferente da que vivemos hoje, mas ao mesmo tempo comprovam que os jovens serão sempre iguais: repletos de sonhos, de expectativas e de desejos. Independente do tempo, a intenção é vencer barreiras, conhecer o desconhecido e se relacionar. Um ponto central abordado nos contos é a questão da sexualidade. O escritor narra muito bem a descoberta do prazer e a visão dos homens sobre o sexo e sobre as mulheres. Algumas cenas possuem descrições bem intensas e diretas, no entanto ele consegue manter a medida e em nenhum momento a narrativa se torna vulgar ou cansativa. Entre os diversos contos do livro, "Fonedrama" aborda questões peculiares e merece destaque. Nele, o personagem principal recebe uma ligação por engano e esta ligação lhe coloca em uma situação inimaginável. Ele se envolve com a mulher, Vanessa, que era casada. O texto aborda a questão do desejo, da traição, da honra, do psíquico e da moral. DESTAQUES: - A narrativa é em terceira pessoa e o narrador nunca apresenta o personagem principal. Todas as referências são por meio do termo "ele". No entanto, os demais personagens são apresentados e individualizados. - Ao longo de cada conto o escritor faz inúmeras referências a livros e cantores. Posso destacar a menção ao livro A Insustentável Leveza do Ser e ao grande poeta Paulo Leminsky. Também existem referências a Raul Seixas, Roberto Carlos, Erasmo Carlos etc. OUTROS DETALHES NO BLOG:

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    André Giusti profile picture

    André Giusti

    André Giusti é carioca, nasceu em maio de 1968. Mora em Brasília desde 1998. É autor, entre outros, de A solidão do livro emprestado e A liberdade é amarela e conversível (contos, Editora 7Letras), e de Os filmes em que morremos de amor (poesia, lançado recentemente pela Editora Patuá).

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    André Giusti