Breakfast of champions -

    Kurt Vonnegut

    Dial Press
    2011
    305 páginas
    10h 10m
    ISBN-13: 9780385334204

    In Breakfast of Champions, one of Kut Vonnegut's most beloved characters, the aging writer Kilgore Trout, finds to his horror that a Midwest car dealer is taking his fiction as truth. What follows is murderously funny satire, as Vonnegut looks at war, sex, racism, success, politics, and pollution in America and reminds us how to see the truth.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (6)Ver mais
    túlio picture
    túlio19/02/2025Resenhou um livro
    0

    Lendo pela segunda vez, dessa vez depois de explorar e estudar um pouco mais do trabalho do Vonnegut. há alguns anos, em 2012-2013, eu pensei em uma estória similar: o Criador faz sua obra, designando suas funcionalidades e movimentos. a obra ganha autonomia e passa a existir por seus próprios desígnios enquanto o Artesão apenas assiste. Ele ainda pode agir, mas escolhe apenas observar. mais ou menos o que acontece aqui. daí que em 2019 eu li esse livro pela primeira vez - a tradução do Daniel Pellizzari. dessa vez o que mais me chama atenção aqui é o que Kurt faz com o romance: de acordo com o autor, um dos problemas da Literatura americana é dividir os personagens em protagonistas, suporte, moral e lição. o resultado disso é que essa estrutura passa a imperar na forma como se vive, na realidade que se entende. nós, humanos, somos moldados pelos livros que lemos e pela estrutura deles. em outro momento ele diz que nossa capacidade de dialogar, de comunicar, também se forma pelo que ouvimos em rádios, televisões e novelas - o maior exemplo disso é que todos os negros de Midland sabem recitar os cantos dos pássaros por ouvirem de uma outra personagem que me foge o nome. eles repetem o canto e também a frase que ela dizia inteoduzindo o som dos animais. o que tiramos daí? bom, somos todos máquinas que vivem de mimetizar uns aos outros. nossa realidade se respalda na estrutura que os livros nos dão, nosso diálogo é na cadência e no ritmo do que ouvimos de novelas e rádios. um momento muito interessante é quando Vonnegut diz que seus personagens falam frases curtas e de palavras simples porque anteriormente em Midland (a cidade da obra) se os brancos não conseguissem interpretar um poema ou uma obra, eles não eram dignos de aprender o idioma. os negros, por sua vez, cagavam e andavam e falavam como bem entendessem, a linguagem do gueto, das ruas, das comunidades. se o problema da “América” são os livros, como resolver? bom, em vários videos no youtube dá pra encontrar o Kurt falando sobre “a forma da estória (sim, com “es” memo, estória não quer ser história, já dizia Guimarães Rosa). ele faz um gráfico esboçando algumas das estórias mais famosas do ocidente e seu formato, sua estrutura, seu vai e vem, seus pontos altos e baixos. e aqui ele bota tudo isso em jogo: não existe um protagonista, não existe uma lição ou até mesmo uma moral. é tudo um jogo. uma forma de lidar com o que se tem. todas as vidas são conectadas, são parte de um macrocosmo. chega de personagens descartáveis. todo mundo aqui é importante, todo mundo aqui é alguém, vem de algum lugar e tem uma vida. ao mesmo tempo, o Narrador aqui é ele próprio. ele está inserido no livro, na vida de seus personagens. temos uma ideia do que vai acontecer com eles uma vez que o livro se encerrar. somos apresentados a apenas um recorte de tempo na vida deles. ele escolhe o que acontece e o que não. curiosamente, ao mesmo passo que ele quebra as regras da Literatura, ele também as aplica. como se dissesse: “viu? é assim que nós fazemos. é assim que sempre fizemos. tudo acontece porque eu quis.”

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 70
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas1%