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    A Ilíada -

    Homero, Frederico Lourenço

    Companhia das Letras
    2013
    720 páginas
    1d 0h 0m
    ISBN-13: 9789505565115
    Português Brasileiro
    4.6
    93 avaliações
    Leram141Lendo45Querem171Relendo2Abandonos7Resenhas8
    Favoritos11Desejados171Avaliaram93

    Primeiro livro da literatura ocidental, a Ilíada parece se tratar, pelo título, apenas de um breve incidente ocorrido no cerco dos gregos à cidade troiana de Ílion, a crônica de aproximadamente cinquenta dias de uma guerra que durou dez anos. No entanto, graças à maestria de seu autor, essa janela no tempo se abre para paisagens vastíssimas, repletas de personagens e eventos que ficariam marcados para sempre no imaginário ocidental. É nesse épico homérico que surgem figuras como Páris, Helena, Heitor, Ulisses, Aquiles e Agamêmnon, e em seus versos somos transportados diretamente para a intimidade dos deuses, com suas relações familiares complexas e às vezes cômicas. Mas, acima de tudo, a Ilíada é a narrativa da tragédia de Aquiles. Irritado com Agamêmnon, líder da coalizão grega, por seus mandos na guerra, o célebre semideus se retira da batalha, e os troianos passam a impor grandes derrotas aos gregos. Inconformado com a reviravolta, seu escudeiro Pátroclo volta ao combate e acaba morto por Heitor. Cegado pelo ódio, Aquiles retorna à carga sedento por vingança, apesar de todas as previsões sinistras dos oráculos. Esta edição em versos da Ilíada, com tradução do helenista português Frederico Lourenço, é acompanhada de textos introdutórios, uma lista das principais personagens e alianças bélicas e mapas que ajudam o leitor a compreender a complexa geografia homérica.

    Resenhas (8)Ver mais
    Kátia Garcia picture
    Kátia Garcia10/11/2013Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um amor que define uma guerra

    Ler a Ilíada é vislumbrar um mundo muito distante de nossa civilização. Um mundo que foi anterior mesmo à Sócrates,Platão e Aristóteles. O interessante, ao meu ver, além e claro do próprio enredo da Guerra dos Gregos contra os Troianos, são as pequenas nuances daquelas civilizações que emergem à medida que lemos o Épico de Homero. Temos o prazer, e também desprazer, de acompanhar entre uma ação e outra o "fazer" prático daquelas civilizações. Acompanhamos o fascínio dos brilhos do ouro e da prata reluzentes das armaduras que os guerreiros endossavam; Homero descreve como as vestiam e como as manejavam.Renasce diante dos nossos olhos os rituais de oferenda aos Deuses,dos sacrifícios de animais e às vezes até de humanos, como quando Aquiles oferece 12 soldados Troianos capturados em batalha,aos quais degola sobre a pira funerária de Pátroco,seu companheiro e amado. Homero usa uma linguagem muito detalhada para descrever as cenas de mortes e de sacrifícios, que soam muito cruas e cruéis, e as vezes até aviltantes para o nosso gosto de cidadãos contemporâneos, para os quais esse mundo parece bárbaro e cruél. Mas Homero o faz de uma maneira que tudo o que lemos parece natural. E na verdade o era; não devemos nos esquecer que Homero se comunica com uma sociedade acostumada à Guerra e a Morte, à virtude viril e a virtude resgatada a golpe de lanças e espadas. Homero nos descreve e narra essas cenas de uma forma tão singela como pura. Sem fazer juízos de valores quando narra, ele coloca na mesma posição de beleza lírica tanto as mortes, as batalhas e sacrifícios, quanto quando descreve o amanhecer na planície de Tróia, ou quando descreve o ferreiro usando seu martelo e bigorna forjando as armaduras dos guerreiros, ou ainda quando descreve o tear das mulheres Gregas e Troianas. Uma outra característica que me chamou a atenção foi a sensualidade embutida nas entrelinhas dessa Epopéia. A Ilíada exala sensualidade por toda a sua extensão. Sentimo-la quando, por exemplo, um personagem toca as próprias coxas "musculosas", quando seus corpos viris e maciços estão em batalha corpo a corpo. Mas essa sensualidade eu não notei somente quando ele descreve os guerreiros de corpos perfeitos, mas também quando está descrevendo uma cena brutal de uma lança que perpassa o soldado de um lado sou outro fazendo saltarem fora as víceras. Mesmo ali Homero o faz de uma forma que se sente, digamos assim uma sensualidade inata na forma como relata. E para terminar, como último ponto, gostaria de ressaltar um ponto,ao meu ver menosprezado por muitos críticos da Ilíada. Me refiro ao relacionamento entre Pátroclo e Aquiles. Na minha opinião, pelo que eu pude alcançar na minha leitura, existia sim um legame de amor entre os dois. Um amor muito profundo e puro, que faz com Aquiles, na sua imensa dor pela perda do companheiro, morto em combate por Heitor, filho do rei de Tróia, Príamo, desrespeitar até as regras mais sagradas por homems daquele período quanto ao respeito ao culto fúnebre dos mortos. Desesperado que está, na agonia da perda do seu amor, arrasta o corpo de Heitor já sem vida para junto das Naus dos Aqueus Gregos, privando o pai de Heitor, Príamo, de preparar o corpo do filho para passar pelos portais da Morte rumo a viagem ao Ades; e não ainda satisfeito disto, na penumbra do alvorecer dos dias, ainda corroído pela dor e pelo ódio que teima em não o deixar, e nesses momentos de maior agonia diante do mar, ele amarra as pernas de Heitor morto, atrela aos cavalos e o arrasta em volta do sepulcro de Pátroclo, buscando consolação para a dor da perda. As evidencias desse amor são muitas claras na Ilíada, mas mesmo assim muitos críticos tendem a ameniza-la, outros a não dar a devida atenção, quando não a negam completamente. Mesmo porque se analisamos bem, veremos que a virada à favor dos Gregos, com a morte de Heitor, e a posterior conquista de Tróia, foi unicamente devida a morte de Pátroclo pelas mãos de Heitor. Episódio este que faz com que Aquiles decida deixar de lado o seu rancor para com Agamênon, comandante das Naus Gregas, e voltar a combater ao lado dos Gregos. Ao meu ver um dos episódios mais comovente da Ilíada é aquele que vemos Aquiles, homem brutal, tão cruel quanto violento, se jogar sobre o corpo do querido companheiro, banhado em lágrimas e gritando de dor. Eu acho que se deveria dar sim a devida importância à esse aspecto da Ilíada. Dar uma minima importância, ou até mesmo o negar, ao meu ver é mutilar a Ilíada de um dos pilares no qual se sustenta. Porque o amor entre os dois está lá sim, e é bem explicito por Homero. PS. Recomendo, para aqueles que querem ter um primeiro contato com a Ilíada, lerem uma versão em Versos Brancos, quase uma Poesia-Prosa. Tem uma versão muito boa da Penguim-Companhia das Letras com tradução de Frederico Lourenço, autor e literato Português. É mais fácil e mais prazeroso a leitura

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    • 4 estrelas35%
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    Hómēros(Homero)

    Homero (em grego, Ὅμηρος - Hómēros, na transliteração) foi um lendário poeta épico da Grécia Antiga, ao qual tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada e Odisseia. Os gregos antigos geralmente acreditavam que Homero era um indivíduo histórico, mas estudiosos modernos são céticos: nenhuma informação biográfica de confiança foi transmitida a partir de antiguidade clássica,e os próprios poemas manifestamente representam o culminar de muitos séculos de história contadas oralmente e um bem desenvolvido sistema já muitas vezes usado de composição poética. De acordo com Martin West, "Homero" não é "o nome de um poeta histórico, mas um nome fictício ou construído".

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    Hómēros(Homero)