Amapá: Lendas Regionais -

    Paulo Dias Morais

    JM Editora Gráfica
    2009
    122 páginas
    4h 4m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Esta obra tem por objetivo atender aos leitores que pretendem conhecer as lendas do Amapá. Histórias de nossos antepassados que passam de forma oral e que precisam ser registradas, para que não se percam no tempo e continuem a preservar a identidade cultural.

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    R .23/12/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A proposta e organização é didática, sobre o folclore, passando pela culinária, festejos, brincadeiras tradicionais, cantos, crendices e lendas. A maior parte reproduz o regionalismo nortista e as manifestações mais representativas do Amapá são a Festa de São de Tiago em Mazagão Velho (cavalhada de origem portuguesa realizada desde o século XVIII) e o Marabaixo (dança de origem afro, que anualmente segue um cronograma de atividades específicas - o Ciclo do Marabaixo - registre-se que em 2018 recebeu o tombamento pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil, algo que vinha sendo desejado e batalhado a muito tempo, fortalecendo a preservação, de raízes mais conhecidas no Curiaú, comunidade de origem quilombola no perímetro urbano de Macapá). O Marabaixo e a Festa de São Tiago são as principais manifestações culturais do Amapá. Na culinária o destaque é o Camarão no Bafo, preparado de um jeito diferenciado do que vi em outros estados nortistas, como no Pará. Não foi citada, mas a gengibirra é a bebida mais tradicional, culturalmente falando, consumida nas festas do Marabaixo. Ah, claro que o açaí (hummmm!!!) é hors concours, né! Não tem combate... As lendas nortistas se fazem presentes com narrativas amplamente difundidas. Específica ao Amapá, talvez a mais significativa seja a da Pedra do Guindaste (uma pedra no rio, em frente da orla de Macapá, atualmente substituída por uma pilastra de concreto, onde tem uma imagem de São José, que os católicos romanos elegeram como padroeiro do estado - está relacionada à crendices de inundação e também à Cobra Grande). Existem outras lendas que o livro relata, porém, conhecidas mais no campo literário e não necessariamente na sociedade (ou de difusão numa região específica). Algumas são muito toscas e forçadas, como a do manganês de Serra do Navio (horrível em termos poéticos), e não foi citada a do rio que seca em Mazagão Velho, a do Barco Fantasma no rio Amazonas e a do Tarumã no rio Calçoene (que é a mais poética em minha visão, inspiradora de bela canção amapaense). Toscas ou não, gosto de ler sobre elas e as que mais aprecio são as aventuras do boto. Existe também uma ressalva para a lenda da pororoca, pois a mais famosa delas, refiro-me ao fenômeno que acontecia no rio Araguari, virou literalmente lenda. O governo amapaense, enquanto responsável pela liberação da instalação de empreendimentos impactantes, permitiu situação que transformou radicalmente o rio e acabou com a famosa e milenar pororoca nos impactos de três hidrelétricas e bubalinocultura sem manejo adequado. Poderia ter um capítulo dedicado ao cancioneiro local, chamado de MPA (Música Popular Amapaense), que tem artistas muito talentosos e belas canções regionais. Mas rapaz! Seria paidégua também uma parte de valorização do vocabulário coloquial! É o fraco, não!

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