Amapá - Vivendo a nossa história

    Maria Emília Brito Rodrigues, Marcelo André Soares

    Base
    2008
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788575344828
    Português Brasileiro

    Livro didático do Ensino Fundamental sobre a História do Amapá.

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    R .15/07/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Em razão dos estudos nas EBDs, referentes ao centenário da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amapá, tenho consultado obras sobre a história amapaense. Essa é uma delas e a mais simples, pois é um livro didático direcionado ao ensino fundamental. Minha meta é encontrar informações que não conhecia ou curiosidades (registre-se que tenho mais vontade de aprender do que, de fato, conhecimento na área). Chamou minha atenção: Em "Nossos primeiros habitantes", voltado aos indígenas, a questão de boa parte dos povos atuais estarem instalados em terras amapaenses a poucos séculos, pressionados pela colonização europeia em outros cantos da Amazônia e não por residirem nesse local a milhares de anos (reforçando, a referência é aos povos da atualidade, como os waiãpis). Ponto que também diverge opiniões entre pesquisadores. Em "O Amapá no contexto das grandes navegações" gostei da informação sobre expedicionários europeus antes de Cabral que passaram pela costa amapaense. Foram citados Américo Vespúcio (1499), Vicente Pinzón (janeiro de 1500) e Duarte Pacheco (que em 1498 teria desembarcado em algum ponto entre o Pará e Maranhão, integrando depois a expedição de Cabral). Registro em 12/07/17 "O amapá na época da exploração colonial" traz informe curioso sobre a primeira denominação para a região amapaense (Adelantado da Nueva Andaluzia) pelo explorador Francisco Orellana em 1544. O texto cita que essa expedição não foi bem sucedida e naufragou. Depois o capítulo aborda a presença inglesa e holandesa tentando conquistar essa terra (pelos idos de 1600), construindo fortes na região de Macapá (mas não a Fortaleza atual) e na entrada do Igarapé da Fortaleza em Santana (chamado de Cumaú, depois destruído pela ação portuguesa, que levantou no lugar outro chamado de Santo Antônio). É, mas o bicho pegou mesmo foi com a França, pois brasileiros e franceses tornaram essa terra um lugar em disputa. Ambos tentaram estabelecer governos por conta própria, sem sucesso, e a disputa se acirrou com a descoberta de ouro em Calçoene no século XIX. Em 1895 ocorreu o episódio mais sangrento - a batalha onde se destacou o Cabralzinho contra os invasores que massacraram o povo em Amapá (chacina covarde e horripilante). O desenlace da disputa se deu em 1900 através do Laudo Suíço, quando as terras em disputa foram dadas como ganho de causa para o Brasil e anexadas ao estado do Pará. Rapaz! Esse período tem muito mais para se descobrir... Em "Presença Africana no Amapá" o destaque vai para a história do quilombo do Curiaú (hoje dentro de uma APA em Macapá) e a incrível e mal sucedida tentativa de estabelecimento de uma cidade portuguesa em Mazagão nos idos de 1700. Os portugueses haviam sido expulsos de uma cidade africana no Marrocos e assim, através de um plano para aumentar a presença de Portugal na Amazônia, mais de mil pessoas (340 famílias) vieram para esses rincões. Só não contavam com a terra diferente da que estavam acostumados a trabalhar e as doenças tropicais que deram fim a vários deles. A maioria que restou tratou de dar no pé para outras paragens (Belém. Macapá, outra cidade próxima que construíram e região das ilhas) e Mazagão ficou com população principalmente de origem afro, tendo essa importância e destaque na história amapaense, onde é chamada de Mazagão Velho. Ah, tem também algo que achei interessante sobre o Curiáu. O nome vem de "cria mu", como os negros chamavam o gado. O local tem grande importância no cenário ambiental, cultural e histórico do Amapá. Registro em 15/07/17 "Da criação do Território Federal do Amapá aos dias atuais" Nessa parte, destaque para a criação territorial no governo de Getúlio Vargas em 13/09/1943. Na motivação, foram citadas a segurança militar (o Amapá tinha uma base americana na segunda guerra mundial em apoio aos aviões que patrulhavam a costa brasileira contra a presença de submarinos nazistas e a região era muito desabitada) e o interesse econômico (a região era conhecida pela exploração do ouro em século passado e a atenção nacional se voltou ainda mais com a descoberta das ricas jazidas de manganês). O capítulo cita, com brevidade, informações sobre dois projetos: o Projeto ICOMI e Projeto Jari (que exploraram manganês em Serra do Navio e um grande empreendimento agroflorestal na região sul amapaense com boa parte no Pará). A ICOMI foi importante para o Amapá, mas deixou grande impacto ambiental quando encerrou suas atividades nos anos 90, além de reverter poucas riquezas para o território; e a JARI, em termos gerais, foi mal sucedida em vários projetos, em ação hoje com a fábrica de papel e exploração do caulim. Morei nas vilas desses dois projetos e tenho boas lembranças. Faltou a história do Novo Amapá nesse capítulo (um dos maiores desastres fluviais na Amazônia, que contribuiu ainda mais para a imagem do fracasso da JARI na fase de administração americana). "O Amapá de hoje: construindo o futuro" Mostra aspectos econômicos relacionados ao extrativismo, potencial ambiental e patrimônios culturais. Há exageros, pois a pororoca do rio Araguari (citada com entusiasmo nesse contexto) nem existe mais com a construção de três hidrelétricas que praticamente destruíram o rio e impactaram ambientalmente a região. Há muita especulação e interesses políticos quando se fala de economia e o perfil econômico mais presente e relevante no estado é o funcionalismo público. "Cultura amapaense hoje: a preservação do legado de nossos antepassados" Ênfase para o Marabaixo, a principal manifestação cultural ao lado da Festa de São Tiago no Mazagão (senti falta de algumas considerações sobre ela). É um livro simplificado, direcionado ao ensino fundamental e, nessa proposta, está interessante, apesar de incompleto. Acho que o ponto de maior ausência foi aos problemas urbanos de Macapá, relacionados principalmente à ocupação desordenada de ressacas. Isso se desdobra em graves problemas sociais. Para se ter ideia, é um dos assuntos de maior procura na Biblioteca SEMA em Macapá, e nada foi citado dessa realidade impactante na cidade e estado. Gostei do aspecto de não ter enchido a bola também de nenhum político. Em termos gerais, é uma introdução da história amapaense para a turma do fundamental.

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