Crônica de Uma Morte Anunciada -

    Gabriel García Márquez

    Record
    1981
    177 páginas
    5h 54m
    Português Brasileiro

    "No dia em que o matariam Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã". Fatalidade, destino, o absurdo da existência humana. O que explica a tragédia que se abateu sobre o protagonista de Crônica de uma Morte Anunciada? Neste romance curto de construção perfeita, García Márquez monta um quebra-cabeça cujas peças vão se encaixando pouco a pouco, através da superposição das versões de testemunhas que estiveram próximas a Santiago Nasar no último dia de sua vida. Em que e em quem acreditar? Como descartar a parcialidade das versões e "o espelho quebrado da memória" dos envolvidos.

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    Otávio Palmeira11/01/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    “No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo”. Qual a nossa responsabilidade com a informação? O que você faria se ouvisse que alguém pode ser assassinado? Você acreditaria ou ignoraria? Você impediria ou não iria se envolver? Quanto de sangue temos nas mãos quando optamos por não nos posicionar? Qual é o nosso papel na mudança do destino? Lançado em 1981 pelo mestre Gabriel Garcia Márquez, Crônica de uma morte anunciada narra os acontecimentos que levaram ao assassinato de Santiago Nasar. E, assim, anunciando o final da história nas primeiras linhas, Gabo conta como uma tragédia se abateu sobre uma pequena cidade litorânea colombiana e sobre como seus habitantes, que ouviram várias vezes o anúncio do crime e praticamente nada fizeram para impedi-lo, fazendo florescer uma culpa compartilhada entre todos. Fortemente baseado em uma experiência pessoal, o livro é narrado em primeira pessoa por alguém que acompanhou de perto os acontecimentos que levariam ao crime. Estruturado em uma narrativa quase jornalística, o narrador “solta” informações relevantes para o entendimento do contexto ao longo da obra, dando a falsa ideia de que nós, leitores, já deveríamos conhecer aquelas informações. Gabo foi jornalista e se inspirou em um crime acontecido na década de 50 em Sucre, região onde morou por anos, para criar esse livro tão espetacular. Mesmo em uma trama jornalística, que navega pelo suspense com facilidade, ele coloca sua poesia em cada linha, como se tomássemos doses necessárias para sentir a história em nossa própria pele, em nosso próprio sangue. Consagrado por seu realismo mágico, é no realismo cru da descrição de lugares e cheiros que Gabo mostra, em Crônica de uma morte anunciada, todo seu talento para criar universos quase palpáveis, trazendo, aos nossos sentidos, de cheiros de sangue à dores (físicas e emocionais). Impossível de largar, é na morte de Santiago e na inação de tantos, que vemos como o destino pode se mostrar e dizer, em alto e bom som: Estou aqui, me vejam, me sintam, me toquem e acreditem em mim.

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