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Reli o Caderno proibido para o encontro do Clerp amanhã e apesar de tê-lo ainda fresco na memória, foi um livro que gostei tanto que achei que merecia uma segunda leitura para discutir com meus queridos amigos do grupo. Minhas impressões não mudaram desde a primeira leitura, só se acentuaram. A minha empatia pela Valéria só aumentou e consigo muito me colocar no lugar dela e mesmo vivendo em uma época diferente (que a priori é mais libertária) sei que muitas mulheres e mães ainda passam pelas mesmas angústias da personagem. O casamento que se amorna, os filhos que crescem e nunca reconhecem os sacrifícios dos pais por eles, a jornada dupla exaustiva (de quem trabalha fora e ainda faz os serviços domésticos) e o pior de tudo, o "APAGAMENTO", a "INVISIBILIDADE" que muitas sofrem. Quantas deixam de serem "Valérias" para se tornarem a esposa de fulano, a mãe de ciclano e beltrano e fica por isso mesmo. Eu comentei no meu texto da primeira vez que essa foi uma luta enorme para mim, não deixar de ser a Leila, nunca, mas reconheço que nem sempre foi possível. Hoje aos 47 anos sei que estou numa boa fase, já dei muitos gritos de independência ao longo dos anos e fiz reconhecerem-me por quem sou, mas é sempre uma luta diária. Na obra Caderno proibido ainda temos que contextualizar quando ela foi escrita, lá pelos anos 1950, onde o pós guerra estava mudando tantas "tradições e costumes", mas ao mesmo tempo ainda se tinha um modelo de família muito certinha e tals. Enfim, é um livraço e recomendo a todos, principalmente às mulheres acima dos 40 anos, porque aí a identificação será quase certa.

