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    Liber Imago -

    Leonardo Triandopolis Vieira

    CBJE
    2008
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788578101251
    Português Brasileiro
    5
    1 avaliação
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    Um livro de contos e poemas que se entrelaçam para dar vida a um romance de estrutura atípica. O que será que se passa na cabeça de um ser isolado de tudo, que apenas possui um sofá para sentar e um espelho para reproduzir sua imagem? Reflexão. Curiosidade. Fantasia. Seria Deus? Seria apenas um Humano? Um produto da imaginação? A resposta será encontrada no transcorrer da leitura.

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    Antonio Maranganha28/01/2009Resenhou um livro
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    A imagem de Jó

    Se alguém aqui já chegou a ler o Livro de Jó, um dos livros poéticos do Antigo Testamento, no intuito de entender sua estrutura, deve ter percebido, mesmo que de relance, que ele não é um livro de fácil leitura. Considerado exemplar por Tomás de Aquino, visto como filho direto de Deus por Lutero e como a jóia da literatura oriental por Hegel, o Livro de Jó é um dos poucos da antiguidade construído em cima de quatro gêneros literários ao mesmo tempo. Isso significa que o Livro de Jó é, ao mesmo tempo, poesia, narrativa, teatro e ensaio filosófico, como nenhum outro foi antes dele, e como pouquíssimos chegaram a ser depois – principalmente no Romantismo. Por isso, lembrei de Anatol Rosenfeld, para o qual, em seu livro O Teatro Épico, o bom narrador não é aquele que narra, mas aquele que, mesmo narrando, escreve poesia e teatro. Dificilmente encontramos hoje em dia autores dispostos a aprender e fazer uso de outros gêneros literários. Raramente me deparei, pessoalmente ou virtualmente, com escritores de romances, contos e crônicas que também costumassem escrever teatro, poesia ou ensaio. Mesmo assim, os que praticam o transgeneralismo (termo próprio) geralmente têm sérias dificuldades de compreender a lógica interna de determinados tipos de textos. Venhamos e convenhamos, existem categorias que se aplicam em determinados gêneros literários, e não em outros. Nada que impeça o gênero narrativo de ser poético, por exemplo, mas até isso significaria que há elementos de outro gênero adentrando-se em um lugar que não lhe é de costume. Ao ler Liber Imago, do jovem escritor Leonardo Triandopolis Vieira, percebi essa pequena mistura entre os dois gêneros. O livro desenvolve-se basicamente em cinco partes. A primeira parte chama-se Prolusio (Prelúdio), onde o autor cria um prefácio em mera meia página. A função fática da linguagem vai desde o primeiro termo ao ponto final. Esse seria um ponto fraco, mas o próprio prefácio apresenta construções poéticas, como "pós-fixos intoxicantes do Ser de papel literato" (pág. 7). A segunda parte, chamada Speculum (Espelho), em que o autor cria uma fusão interessante entre linguagem teatral e linguagem narrativa. O gênero dramático se apresenta em forma de rubrica, dando a sensação de que há uma cena sendo construída, enquanto o momento narrativo, usando a técnica do fluxo da consciência, deixa escapar também momentos poéticos. A terceira parte, intitulada Primoris Factum (Primeiro ato), nos insere nesse universo criado pelo autor, um misto de elementos de fantasia, tecnologia steampunk, ambientação horsepunk e narrativa psicológica. Com uma primazia na linguagem, Leonardo T. Vieira destaca-se aqui no bom uso de seus termos e por personagens que apresentam imensa profundidade em poucos parágrafos, como Doraline, e personagens que poderiam ser melhor trabalhados, como Kályah. A quarta parte, à qual o autor intitula Secundus Factum (Segundo ato) se vale quase completamente de poemas, mas nos quais, devo confessar, faltou poesia. Em verso, Leonardo T. Vieira não é conciso e é parcamente imagético, deixando a desejar em seu lirismo e, por vezes, chegando inclusive a ser mais prosaico que Oswald de Andrade. Claro que alguns poemas se destacam, como Arucuol ahnim e ue e Sólida, nas quais, apesar de não realizarem uma boa estrutura poética por completo, pelo menos se aproximam do verdadeiro objetivo da poesia. Por fim, o livro fecha com a reaparição de Speculum, dessa vez um capítulo completamente narrativo, em que os elementos dos demais gêneros desaparecem, em que o narrar aparece em valor substantivo, em seu sentido mais puro. Liber Imago me fez perceber algo semelhante ao Livro de Jó, mas julgo que o autor poderia melhorar, e muito, o próprio estilo, a fim de que viesse a usar todos os gêneros com igual rigor. Mas creio que, como paralelepípedos de madeira só precisam de um bom carpinteiro para virarem estátuas, Leonardo T. Vieira só precisa de um bom treino para transformar em perfeição aquilo em que ele já é potencialmente bom: a união dos gêneros literários.

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    Leonardo Triandopolis Vieira

    Leonardo Triandopolis Vieira busca na palavra escrita um símbolo para-abstrato, acromático, que não funcione apenas como ferramenta para objetivar suas subjetividades, mas também que funcione como mônada para uma criação artística insurgente. Através da apropriação, da ressignificação e da manipulação indiscriminada da palavra em seu corpo coletivo (o texto). Um contínuo ensaio, um estado de greve, disruptivo em sua consciência de um sentimento insubmisso. Arte em chamas, posto que a criação devora tudo ao seu redor. A palavra é fogo e aqueles que a operam não passam de galhos secos. Natural de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, o autor publica livros desde 2013. Antiespecista, vegano, esotérico, bibliófilo, vinilófilo, analógico, não lembra com exatidão quando começou a escrever literatura, apenas escreve: movido por um inutilismo semiótico amalgamado a um senso político autodidata e libertário.

    22 Livros
    8 Seguidores
    Mato Grosso do Sul, Brasil

    Leonardo Triandopolis Vieira