"Grandes Pontífices" vem mais uma vez, demonstrar o caráter epistemológico da Maçonaria, o grande conjunto de ciências, colocando a serviço da evolução racional da espécie humana. Partindo da premissa de que a civilização, de maneira geral, encontra-se em franca decadência, graças à inteligência e à indiferença de um mundo que posterga os valores espirituais humanos, em benefício do efêmero brilho das conquistas materiais, o Autor, dentro de uma contextura de pura racionalidade filosófica, indica o caminho da redenção do espírito humano. Considerando o Amor como a realidade primordial do Universo, mostra que esse caminho passam obrigatoriamente pela Instituição Maçônica, embora esta, acompanhando a progressiva deterioração da civilização, deteriorada também esteja. Sem embargo dessa decadência, talvez provocada por régulos procustianos, que, em diversas épocas, tentaram fazer, da Maçonaria, uma sinecura, ela, segundo o autor, é a única (além do Cristianismo" com possibilidades de safar-se do pélago, em que se afunda a humanidade, graças, não só ao seu caráter evolutivo, que lhe permite uma constante renovação, mas, também, ao teor libertário e democrático de sua doutrina, que permite a livre investigação da Verdade, sem a bitola de padrões adrede estabelecidos e sem a imposição de dogmas, que falseiam a verdade cientifica. Grande Pontífice é o título do iniciado no 19º. grau do rito maçônico mais difundido nas Américas. Pontífice é o construtor de pontes e, no caso, a ponte é, anagogicamente, o meio racional, crítico e cientifico para que sejam transpostas as trevas da ignorancia para que se chegue ao reinado da Luz, ao Templo da Razão, que é a Jerusalem Celeste, a cidade resplendente do Apocalipse de São João ("E levou-me, em espírito, a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deusa descia do céu. E tinha a glória de Deus; e a sua Luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente" - Apocalipse 21,10 e 11). Esta a finalidade intrínseca desta obra, cujo autor também e um pontífice: lançar as bases de uma ponte, não mística, mas perfeitamente cientifica, para que possa, o homem, transpor o limbo miasmático do mundo das trevas e penetrar, gloriosamente, no Templo da Verdade e da Razão, que é seu próprio eu aperfeiçoado, como o Ungido, como o cabalístico Adam Kadmon, criado pelo Supremo Árbitro dos Mundos, mas colocado, embora tenha se desviado algumas vezes, no caminho da constante evolução espiritual e cientifica, como tributo à sua criação e existência. - José Castellani
Grandes Pontífices -
Luiz Caramaschi
A Gazeta Maçonica
1983
275 páginas
9h 10m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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