Democracia e Confiança - Por que os Cidadãos Desconfiam das Instituições Públicas?

    José Alvaro Moisés (org)

    EdUsp
    2010
    303 páginas
    10h 6m
    ISBN-13: 9788531412219
    Português Brasileiro

    Este livro trata do fenômeno da desconfiança dos cidadãos das instituições democráticas e de suas consequências para a qualidade da democracia. Confiança é algo que se refere à crença das pessoas a respeito da ação futura dos outros; é algo relativo à aposta de que, através de sua ação ou inação, os outros contribuirão para o meu bem-estar ou se eximirão de me impor prejuízos. O fenômeno não se restringe à relação entre seres animados e, na esfera política, supõe-se que preencha o vazio derivado das dificuldades das pessoas para mobilizar os recursos cognitivos necessários para avaliar e julgar a qualidade das complexar decisões políticas que afetam suas vidas. A suposição é que a confiança em instituições traduz a expectativa pública quanto a probabilidade de que o sistema político produzirá os resultados esperados e preferidos pelos cidadãos, mesmo quando ele não esteja sob pressão. A desconfiança de instituições, ao contrário, cria o ambiente favorável para que os cidadãos se sintam descomprometidos da vida pública, podendo se recusar a cooperar com as diretrizes do estado ou ignorar as leis e as normas que regulam e organizam a vida social e política. A autoridade e a efetividade de governos e de partidos políticos podem ficar comprometidas, e a legitimidade ou a crença na vida democrática, como a que assegura direitos de cidadania, podem ser postas em questão. Ainda que algum grau de desconfiança de autoridades governantes sinalize um distanciamento crítico saudável, a desconfiança generalizada, crescente e duradoura de instituições públicas, mesmo não comprometendo a democracia no curto prazo, implica a percepção negativa dos cidadãos quanto á sua capacidade de operar como meio de realizar interesses e preferências. Por isso, a desconfiança leva parcelas do público a um preocupante menosprezo pelas instituições de representação, com a admissão de que a democracia pode funcionar sem partidos ou sem parlamentos.

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