Transas, solidão e violência
O escapismo da libertinagem em doses letais De Bar em Bar narra a história de Theresa Dunn uma mulher que leva uma vida dupla. Durante o dia uma pacata professora que leciona numa escola para crianças surdas e à noite se transforma em uma mulher vulgar e aventureira que abandonando a imagem de moça bem comportada na busca de consolo para suas inquietações, frustrações e solidão no sexo casual com homens desconhecidos que encontra nas noites turbulentas de Nova Iorque. Narrativa bem construída e de leitura fluída a obra é inspirada num caso real: o assassinato da professora Roseann Quinn. Fragilizada por sentimentos de vazio e frustrações a protagonista sai pela cidade à procura de companhia para suas noites solitárias nos bares mal frequentados da Nova Iorque da década de 50, em ambientes povoados por criaturas perdidas na noite, sendo ela mesma uma destas criaturas. Uma mulher controversa que não conseguiu transpor na vida adulta as experiências traumáticas que viveu na infância, adolescência e inicio da juventude. Ambivalente e dominada pelo vicio num circulo perigoso de sexo clandestino ela se coloca em situações de risco brincando com o perigo como se esperasse inconscientemente que este colocasse fim a seu martírio, já que ela conscientemente não compreende como este circulo se manifesta. Um tema atemporal que se repete no século XXI tornando a história um reflexo não apenas de uma época, mas, sobretudo, de um controverso comportamento que nos tempos atuais adquire status de ideologia libertária baseando-se num estilo de vida que questiona os padrões convencionais; onde personalidades conflituosas e carregadas de traumas passados mal ou não resolvidos desencadeiam nelas comportamentos impulsivos, imprudentes, inesperados e fora dos padrões comportamentais da normalidade social, transitando numa linha tênue entre o que é ser livre e o que é ser autodestrutivo levando-as a caminharem à margem da sociedade.


