
Edgard Allan Braga (Maceió, Alagoas, 1897 – São Paulo, São Paulo, 1985). Poeta e médico, lê poemas desde a infância. Entre 1916 e 1922, frequenta o curso de medicina da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nessa época, conhece o poeta Olavo Bilac (1865-1918). Braga é médico obstetra e faz os partos dos filhos do poeta Oswald de Andrade (1890-1954), de quem se torna amigo. Publica seu primeiro livro, A Senha, um poema épico, em 1933. Em 1948, participa de um Congresso de Poesia onde conhece os poetas concretistas Haroldo de Campos (1929-2003), Augusto de Campos (1931) e Décio Pignatari (1927-2012). Aos poucos, aproxima-se da poesia concreta, culminando nas experiências poéticas do livro Soma (1963). Entre 1962 e 1967, participa do conselho editorial da revista Invenção, editada pelos poetas concretos. Na década de 1970, contribui com poemas visuais em revistas literárias como Código, Poesia em Greve e Corpo Estranho. Em 1984, o poeta Régis Bonvicino (1955) organiza uma antologia intitulada Desbragada que reúne os poemas visuais de Braga e textos críticos de admiradores de sua obra. Entre eles, o artista plástico argentino Julio Plaza (1938-2003), o cineasta Julio Bressane (1946) e o poeta Duda Machado (1944). Falece no ano seguinte. Os primeiros poemas de Edgard Braga possuem características simbolistas e parnasianas sendo, em sua maioria, sonetos decassílabos com influência do poeta Olavo Bilac. Por isso, o poeta Oswald de Andrade, amigo de Braga, considera sua poesia antiquada frente à estética modernista. Isso começa a mudar em 1951 com a publicação de Odes. Neste livro, os versos são livres e a temática metafísica. Segundo a romancista Patrícia Galvão, a Pagu (1910-1962), essas características aproximam-no da poética de Ricardo Reis, heterônimo do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935). Deste momento, também são os poemas em prosa de Albergue do Vento (1952) e de Inútil Acordar (1953), que atestam a influência do poeta italiano Giuseppe Ungaretti (1888-1970). Em 1954, Edgard Braga publica Lunário do Café, com ilustrações do artista plástico Di Cavalcanti (1897-1976). Este livro traz novidades à poesia de Braga: mitos afro-brasileiros, lembranças familiares e fala coloquial. Nessa época, o poeta trava contato com o movimento de poesia concreta e produz as primeiras experiências na nova linguagem, que resultam no livro Soma (1963). Na década de 1960, Braga produz poesia visual e cria o que chama de “tatuagens” ou “tatoemas”: objetos gráficos tão próximos da poesia quanto da pintura. Essas obras são reunidas em dois volumes com páginas soltas: Algo (1971) e Tatuagens (1976). O poeta usa técnicas de fotografia e caligrafia para “montar” as “tatuagens” e testa novos suportes e formatos como em “Infância”,... [https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa3001/edgard-braga]