Se eu pudesse trincar a terra toda e sentir-lhe um paladar, seria mais feliz um momento... Mas eu nem sempre quero ser feliz. É preciso ser de vez enquanto infeliz para se poder ser natural... Nem tudo é dias de sol, e a chuva, quando falta muito, pede-se. Por isso tomo a infelicidade com a felicidade naturalmente, como quem não estranha que haja montanhas e planícies e que haja rochedos e erva ... O que é preciso é ser-se natural e calmo na felicidade ou na infelicidade, sentir como quem olha, pensar como quem anda, e quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, e que o poente é belo e é bela a noite que fica... Assim é e assim seja...
Poemas de Alberto Caeiro - Obras completas de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
Ática
1984
116 páginas
3h 52m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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