Neste romance de 1986, Mario Vargas Llosa faz uma incursão no gênero policial, numa narrativa que mescla crime, suspense, investigação, rotina policial, humor, e - não podia faltar pela própria ambientação específica da obra - crítica social.
Trata-se de um policial à maneira latino-americana. Um ambiente que tem seu toque pitoresco nas conversas cotidianas dos seus personagens, no humor que abusa da linguagem chula, no olhar sobre gente comum que pode lembrar a leitores brasileiros, latino-americanos também, pessoas da nossa realidade.
Corrupção, violência, suspeitas de corrupção (até quando não há): alguém reconhece isso? São os elementos que pontuam a narrativa de "Quem Matou Palomino Molero?" e a diferenciam dos romances policiais da tradição anglo-americana, e a aproximam de autores do gênero como Andrea Camilleri e a nossa brasileira Maria Alice Barroso ("Quem Matou Pacifico?").
Valendo como 3.5 porque:
- a conclusão está demasiado próxima, para o meu gosto, da ideologia pessimista do "as cartas estão marcadas e nada podemos fazer".
- O excesso de palavrões me incomoda.
Mas ainda é um 3.5 porque existe algo em "Palomino..." que agrada e que me fez desejar que MVL tivesse retomado esses personagens e voltado ao policial...