O Segredo da Macumba -

    Marco Aurélio Luz

    Paz Terra
    1972
    101 páginas
    3h 22m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
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    Bruna Karlla02/03/2023Resenhou um livro
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    A macumba como uma expressão simbólica da formação social brasileira

    O que é macumba? Atualmente, seria uma pergunta respondida com: umbanda ou candomblé. Segundo os autores, essa legitimação das duas religiões, em contraste com a quimbanda, é uma expressão da dominação ideológica, e um resquício da luta de classes. Apoiados na teoria marxista e freudiana, Georges Lapassade e Marco Aurélio Luz, expõe através dessa obra como se relaciona a realidade material da luta de classes entre a burguesia branca e o proletariado negro, da escravidão aos dias atuais, e os significados que o simbolismo em todas as formas do que é chamado "macumba" revela sobre o inconsciente do povo brasileiro. A quimbanda, em seu apagamento proporcionado pela demonização que sofreu por setores da umbanda, expressa um desejo de libertação das imposições de comportamento trazidos pelo homem branco, tendo suas raízes na revolta genuína dos que foram escravizados no país e não pretendem se render à cultura dominante. Pode-se observar um paralelo da quimbanda com o Vudu haitiano, que, ao servir de instrumento de revolta e sublimação do desejo de libertação e vingança, teve um papel importante na revolução e conquista da liberdade para o povo negro do país. Por outro lado, os autores analisam como a umbanda se expressa de forma oposta a quimbanda: conquistou seu reconhecimento perante a sociedade as custas da dissolução da revolta (que se expressa como diminuição do culto à Exu), a aderência ao valor da obediência (que se expressa na hierarquia), e principalmente, quando incorpora a ideia de evolução que vem do espiritismo kardecista. Através da dicotomia umbanda versus quimbanda, os autores provocam reflexões sobre as contradições presentes na formação social e religiosidade brasileira: " De um modo geral, essa é a contradição ao nível do comportamento social implícito na reformulação do ritual da macumba. Até onde se admitem alterações do ritual que ao mesmo tempo permitam a preservação que as atitudes da ideologia religiosa africana?. O negro aceitou de um modo geral as proposições moralizadoras do espiritismo visando sua ascensão social na formação brasileira. Todavia, essas proposições acarretam a total dominação do branco na direção do novo culto. (...)" Portanto, a contribuição mais importante que observei do livro é sobre como o valor da submissão e das normas de comportamento brancas e europeias não só serviram para nos domesticar, mas também para embutir ideias e entendimentos sobre o mundo e a religiosidade, que perpetuem a sua dominação. Ainda há muito do pensamento colonial infiltrados na noção de evolução do espírito, ainda há muito do evolucionismo antropológico nas modificações das religiões (principalmente as de matriz africana) ao simplificar os cultos. É necessário que pensemos em como driblar as contradições a fim de tentar manter as raízes na liberdade original que a macumba trás, e se atentar para as tentativas de apagamento que as diversas expressões dos cultos sofrem, e definir: até que ponto a socialização deve modificar as pessoas e a coletividade?.

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