Poeta Plástico -

    Anibal Oliveira Freire

    Orobó
    2007
    72 páginas
    2h 24m
    ISBN-13: 9788587151193
    Português Brasileiro

    De Montanhas e Águas (2001), seu livro de estréia, para este Poeta Plástico, Anibal Oliveira Freire demonstra uma considerável ampliação do seu modo de organizar a matéria poética, não exatamente de sua concepção de “poiesis”, daquilo que permanece, para os poetas, como referência primordial de poesia. Percebe-se, facilmente, que continua aqui a compreensão de poesia como algo rente à natureza, no sentido mais simples do termo, ou seja, a natureza mesma, não um conceito de, qualquer pensamento já estabelecido sobre isso. Rente à natureza, a poesia aparece nesta coletânea como uma dimensão que a integra, que tem com ela uma relação de complementaridade, e não de oposição, o que não quer dizer que seja uma relação de paz e amor, mas apenas uma relação para além e aquém das categorias que repercutem a eterna dicotomia bem-e-mal. Embora se possa identificar elementos ideológicos em vários poemas, que remetem à consciência política do poeta, não se pode dizer que estão aqui a serviço de uma espécie de fundamentação do problema central da vida contemporânea, qual seja, a destruição do mundo natural. Tais elementos parecem atestar aqui muito mais a produtividade que representa, para o discurso poético, o estar rente à natureza: perto dela, transitando por ela, o poeta se liberta das amarras civilizacionais de cada dia e deixa rolar, naturalmente, o que está nele: suas sensações, portanto, aquilo que não é só dele, mas dele com a natureza, dele enquanto contraparte do todo natureza. A relação que se coloca aqui entre o poeta e seu objeto direto, digamos, não é hipotática, marcada por uma subordinação, mas sim paratática, marcada por uma coordenação entre os dois termos. Singulariza essa relação, de modo inequívoco, um dado comum às duas dimensões, ao homem e a natureza, que é a plasticidade, a exterioridade, “locus” irradiador da “aisthesis”, como se sabe: poeta plástico, o que pinta com o próprio poético. (Anelito de Oliveira)

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