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    Range of Ghosts - The Eternal Sky, Book 1

    Elizabeth Bear

    Tor Books
    2012
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9780765327543
    2.5
    2 avaliações
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    A powerful new fantasy from Hugo award–winning author Elizabeth Bear, Range of Ghosts creates a world both deep and broad, where a sorcerer-prince seeks world domination to the glory of his God. Temur, grandson of the Great Khan, is walking from a battlefield where he was left for dead. All around lie the fallen armies of his cousin and his brother who made war to rule the Khaganate. Temur is now the legitimate heir by blood to his grandfather's throne, but he is not the strongest. Going into exile is the only way to survive his ruthless cousin. Once-Princess Samarkar is climbing the thousand steps of the Citadel of the Wizards of Tsarepheth. She was heir to the Rasan Empire until her father got a son on a new wife. Then she was sent to be the wife of a Prince in Song, but that marriage ended in battle and blood. Now she has renounced her worldly power to seek the magical power of the wizards. These two will come together to stand against the hidden cult that has so carefully brought all the empires of the Celadon Highway to strife and civil war through guile and deceit and sorcerous power.

    Resenhas (1)Ver mais
    Paulo Vinicius picture
    Paulo Vinicius21/02/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A palavra world building, ou construção de mundo, é uma das partes mais divertidas e mais assustadoras da criação de uma história. Todos os autores de fantasia curtem criar sociedades, estabelecer os impérios, mostrar o funcionamento da economia. Mas, o problema disso é como colocar isso na história sem torná-la longa e enfadonha? Muitos autores caem nessa armadilha e suas histórias sofrem com o chamado info dumping, ou com o excesso de informações. Nesse livro, Elizabeth Bear mostra como fazer isso sem afetar o ritmo da história. Estamos diante de uma escrita que não é nem erudita ou estilosa demais, nem ingênua. O que eu posso dizer é que a autora é muito eficiente na apresentação de personagens e de conteúdo. Em pouco menos de dois capítulos ela já conseguiu me passar todas as informações que eu precisava. Acreditem: isso é dificílimo de ser feito e só por isso a autora merece muitos elogios. A história é contada em terceira pessoa a partir de três pontos de vista básicos: o do Temur, a da Samarkar e a do al-Sepehr/Edene. A história é contada a partir de um discurso direto simples,mas carregado de descrições e momentos reflexivos dos personagens. Ou seja, não é nenhuma invenção, nem nada demais. A autora simplesmente consegue entregar muito bem os fundamentos básicos da escrita. Me incomodou um pouco a parte final da história, mais carregada de transições entre os núcleos narrativos. Isso fez com que em certos momentos a história ficasse truncada e não fluísse tão bem quanto no começo. Mas, não tira a boa escrita da autora. Os personagens são um dos pontos estranhos na escrita. Achei-os um pouco desequilibrados em relação ao tempo de atenção dado pela autora a eles. Vou começar falando da Samarkar. Para mim ela é o ponto alto da narrativa, pois a autora decide nos apresentar uma mulher que já está com uma idade um pouco maior (na casa dos 30) e que teve uma série de problemas ligados ao casamento e à maternidade. Devido aos rituais necessários para o recebimento de poderes mágicos, ela não pode mais dar à luz. Mesmo assim, a autora nos mostra uma protagonista feminina forte e decidida, capaz de tomar decisões difíceis, mas tendo os seus lapsos de insegurança. É uma personagem muito humana e com o qual conseguimos nos relacionar. Aliás, fica aqui também o destaque para o fato de a personagem não ser sexy e maravilhosa, tendo problemas para aceitar que ela é de alta estatura e muito forte para os padrões aceitáveis dentro de sua sociedade. A maneira como a autora trabalha a insegurança por trás da não aceitação de si mesma é outro bom destaque narrativo. A narrativa de Re Temur segue um homem derrotado após uma guerra entre clãs rivais em sua tentativa de sobreviver. Os acontecimentos que seguem acabam guiando-o rumo ao desastre. Ele conhece Edene e acaba se apaixonando por ela. Esse trecho eu achei muito bom porque nos mostra um homem destruído por tudo o que aconteceu a ele na guerra. Apesar de ser um dos herdeiros do trono, ele vê com total impossibilidade ascender ao poder e nem faz esforço para tal. Ele quer sossego e viver com dignidade. Mas, ele é perseguido pelo ódio de Qori Buqa que deseja eliminar todos aqueles com algum direito ao trono. E é isso que vai empurrar Temur para a narrativa. É isso o que eu não gostei muito: estamos diante de um personagem muito mais reativo do que pró-ativo. Outras coisa que acaba me incomodando é a sensação de um deus ex machina sempre impelindo o personagem com alguma coincidência fortuita ocorrendo. No final a autora dá uma amenizada nesses empurrões e a trama do personagem melhora em termos. Acontecem algumas complicações que vai fazer do personagem mais interessante no próximo volume. Digamos que eu achei que a personagem não teve muito tempo para explorar devidamente os seus personagens. A riqueza e a originalidade do mundo que ela criou são chamativos. Ela mesclou elementos chineses, árabes e mongóis em um mundo de fantasia. Tomou certas liberdades que em nada diminuem sua criação. Só que por conta disso, ela conseguiu trabalhar menos as ligações entre os personagens e suas histórias de fundo. Por exemplo, al-Sepehr parece ser um vilão com motivações legais, mas seus momentos são tão poucos que ele fica parecendo mais "vilanesco" do que legal. E eu tenho certeza que a autora tem algum coelho na cartola em relação a ele. Já a mudança que ocorre em Edene mais para o final do primeiro volume soou estranha e forçada. Súbito demais. Espero que tenha uma explicação convincente no segundo volume. Os reinos criados pela autora são o que há de melhor na narrativa. Ela conseguiu criar uma ambientação incrível e bem diferente do padrão. Passamos por dois momentos de ambientação propriamente ditos: em Tsarepeth e na caravana onde Temur e Edene se encontram. A autora conseguiu trabalhar bem os hábitos e os costumes dos dois povos. Detalhes bem pequenos ficam nítidos na escrita da autora: toda a etiqueta por trás da corte de Rasan, o amor de Temur e de seus compatriotas pelos cavalos, as visões distintas sobre religião, as relações de comércio. Tudo é ricamente trabalhado pela autora. Um detalhe que muitas vezes foge aos autores é a barreira do idioma. Aqui os personagens precisam aprender a falar o idioma um do outro para poderem se comunicar. Eles passam a viagem tentando ensinar um ao outro a falar e mesmo assim sentem dificuldades na hora de falar com alguém nativo do lugar. Uma excelente maneira de cobrir esse tema, na maior parte das vezes deixado de lado. Range of Ghosts é um bom início de série, apresentando um mundo diferente do que estamos acostumados a ver, entrando no trend de histórias baseadas na cultura oriental. Somos apresentados a dois personagens que tem muito ainda a nos mostrar e que certamente enfrentarão terríveis desafios. O cliffhanger no final do volume nos deixa salivando para saber o que vai acontecer a seguir.

    1 curtida

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    Elizabeth Bear profile picture

    Elizabeth Bear

    Elizabeth Bear nasceu no mesmo dia que Frodo e Bilbo Bolseiro, mas em um ano diferente. Ela mora em Massachusetts com um cão ridiculamente gigante. Seu parceiro, o aclamado autor de fantasia Scott Lynch, vive em Wisconsin.

    34 Livros
    3 Seguidores
    Connecticut, EUA

    Elizabeth Bear