Vidas tecidas -

    Anita Amirrezvani

    Civilização Editora
    2007
    379 páginas
    12h 38m
    ISBN-13: 9789722625135
    Português

    Era uma vez uma rapariga que conseguia fazer maravilhosos tapetes de lã tingida com essência de açafrão e romãs... No Irão do século XVII, uma jovem aldeã aproxima-se da idade do casamento, quando o seu destino é destruído pelas profecias agoirentas que se seguem à passagem de um cometa no céu do deserto. Confrontada com a morte inesperada do seu amado pai e sem perspectivas de conseguir arranjar um dote, a rapariga e a sua mãe, desesperadas, são obrigadas a enfrentar uma nova vida na cidade encantada de Isfahan. Recebidas como criadas pelo tio Gostaham, um próspero desenhador de tapetes, e pela sua exigente esposa, as duas mulheres deparam-se com um mundo inexorável onde sobreviver implica força e resistência perante as suas expectativas mais terríveis. O romance capta a azáfama dos mercados cheios de romãs, de água de rosas e de açafrão; de belos tapetes sedosos e dourados de tirar o fôlego da loja de tapetes Shah; e dos incomparáveis jardins, pontes, casas de chá e hammams de Isfahan. Com encantadores contos persas medievais, Vidas Tecidas é a história da luta de uma mulher para conseguir a vida que escolheu, dependendo — contra todas as probabilidades — da força das próprias mãos, da sua inteligência e da sua vontade.

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    Marcilene Aparecida Alberton Ghisi24/12/2013Resenhou um livro
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    Desenhando a vida em meio às tramas dos fios dos tapetes

    A autora apresenta-nos uma garota que está em idade de casar e que mora com seus pais em uma aldeia do Irã. No entanto, naquele ano em que inicia-se esta história, um cometa risca os céus daquele lugar, o que é suficiente para gerar grande angústia nos habitantes, pois todos acreditam que o astro traz consigo terríveis profecias, sendo confirmado por um sábio que sai em viagem para buscar explicações. Quando ele retorna, fortalecendo a crença que teriam pela frente um período difícil, informa que uma série de eventos desagradáveis ocorrerão e uma das más profecias é a de que as mulheres irão, de algum modo, rebelar-se, o que em um regime fechado como aquele, era digno de consternação. A menina, que já naqueles tempos, tinha grande facilidade em tecer tapetes, queria descobrir um meio para criar uma cor que fosse única e vai em busca do tintureiro sem ninguém para acompanhá-la, fato que faz com que seu pai a castigue, pois estaria, com tal atitude, manchando sua reputação e, com este pequeno gesto, nossa personagem vai mostrando-nos o quanto é impulsiva em suas ações, o que futuramente irá trazer-lhe grandes problemas, mas também grande fortaleza para vencer os desafios que terá pela frente. Passado alguns dias, durante os trabalhos no campo, o pai da personagem morre e ela e sua mãe ficam desamparadas, tendo apenas um único parente, o qual mora em uma cidade distante. Ainda tentam sobreviver como podem na aldeia onde moram, mas fica quase impossível e pedem auxílio para este homem, que viram muito poucas vezes. Ele é meio-irmão do pai da menina. Gostaan, este é seu nome, atende ao pedido das duas e diz-lhes que ponham-se a caminho da sua casa. Elas partem rumo ao desconhecido e ao chegarem na grande cidade, surpreendem-se com tudo o que vão encontrando. Ao chegarem na casa do tio, são recebidas por ele e sua esposa, mas esta as trata como meras criadas da casa, dando-lhes um quarto digno desta condição. São, portanto, obrigadas a viverem trabalhando dia e noite, e submetem-se a isto, por não terem para onde ir. No entanto, Gostaan, ainda que não contrarie as ordens da esposa, faz o possível para manter a sobrinha e a mãe desta sob sua proteção, e, por ser desenhador e tecedor de tapetes, ensina à garota tudo o que sabe e ela vai aperfeiçoando-se em suas habilidades. Muitos fatos vão acontecendo, nossa personagem aprimora-se na tecitura de tapetes, mas também em meio a fios e cores, traça caminhos bem turbulentos, os quais vão ficando mais tortuosos do que o necessário em virtude da impulsividade já percebida no início da história. Em determinado momento, o enredo traz situações um tanto previsíveis, mas de repente, tudo transforma-se, como se fosse um desenho que, dependendo do modo que se olha, pode dar-se um significado diferente. Na grande cidade, ela consolida uma amizade, a qual será abalada por fatos ligados a um casamento arranjado para ela por três meses, o chamado sigueh, o qual consiste em um matrimônio que dura por algum tempo e que foi aceito pela mãe dela porque seria um meio de subsistirem e de talvez ela garantir um futuro, se o tal negócio se tornasse permanente. Ou, se, quem sabe, ela engravidasse. Mas.... o que aconteceu é que após duas renovações do sigueh, nossa personagem percebeu que teria que escrever sua história, tecer o tapete de sua vida e recusou-se a atender sua mãe e não renouvou o contrato pela terceira vez, tendo sido, então, as duas, expulsas da casa do tio. A partir daí, passam fome, a garota, já mulher, mendiga nas ruas, para dar de comer à sua mãe, que adoece gravemente e que a recrimina porque ela não quis curvar-se mais uma vez à sua vontade. No entanto, ela tem força, dignidade, e, sim, uma grande habilidade, que é a produção de tapetes e, com estas virtudes, consegue fazer suas escolhas e construir, por si mesma, os desenhos de sua vida, dando-lhes as cores que deseja. O que este livro ensina-nos é que, ainda que os caminhos pareçam estar sendo traçados por algo que se chama destino ou profecias, podemos sempre trilhá-los de outro modo e desfazermos as linhas que foram tecidas, criando outras tramas, fazendo nossas escolhas e dando outro tom para o que parecia estar definido.

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