O Bom e o Péssimo
The Call of the Wild é um ótimo conto. London o conta com uma precisão incrível, e uma verdade vivida claramente por ele. London deve ter visto vários Bucks, incluindo provavelmente seu próprio reflexo no espelho. É uma história autêntica e simples, mas densa, que mistura brutalidade e perceverança com a alegria selvagem da liberdade no extremo Norte. Dito tudo isso, White Fang é uma grande, enorme e fedorenta porcaria. Morreu Jack London, o aventureiro com senso de justiça social, e nasceu Jack London metido a antropologo e o maior racista que eu já tive o desprazer de ler. Te-ne-bro-so. A história é longa, repetitiva, chatíssima e, principalmente, falsa até a última vírgula, e um grande exemplo de que escritores escrevem bem sobre o que eles sabem e sobre o que viveram. White Fang nasce ao contrário de The Call of the Wild, mas não apenas do quesito de direção dos personagem em relação à transição de domesticado para selvagem, mas também de uma história que nasce de Jack London, e uma história que nasce de fora dele. Uma que nasce como verdade e depois é por ele organizada em história, e a outra é uma história que tenta ser, porcamente, organizada em verdade. E o resultado é que uma funciona lindamente, e a outra dá vontade de jogar o livro fora e lavar os olhos.


