A Poesia Está Viva em Você!
Surpreendente universo poético, madrugado, amanhecido, revelado. João Andrade cumpriu com a autenticidade criativa de seus versos, apresentando-nos um “Livro de Palavra”. O autor descreveu sua verdade, que antes se consubstanciava na consciência reflexiva. No livro, percebemos a visão inquieta, o inconformismo que lhe aflora, enquanto luta contra um ser “inserto”. Este encenar vagante de seus personagens, por vezes surpreendentes, sem rimas, pelas estradas percorre. Um estético “fingimento” lhe serve para versar o que a sinceridade contradiz, “poetando” suas verdades e mentiras em cada (in)verso. “Ao me encontrar com o que minto, reconheço por instinto que sinto muito, mas não sinto nada.” As dicotômicas paisagens entremeiam certezas não absolutas, mundo de sensações, mundo de ilusões, um mundo de “talvezes”. Ser lar ou ser estrada; ser cais, querendo ser mar; são tantos os seus contraditórios desejos. “Sempre me olho como se eu fosse outro, um estranho que de mim se ausenta” Mas, como coisa de poeta, rebelde, sonhador, “se é para ser contra, então é a favor”, não esperemos destes versos uma fórmula exata, um seguir em linha reta, ou simplesmente presumível. Afinal, o lugar que abriga a imaginação é uma casa de vazios inspiradores. Ali, moram, sem estar. Nosso poeta confessa que PALAVROU a vida inteira para encaminhar suas fugas, versar seus abismos, de forma incompleta e até descrente. “Vivo sem eu, vivo sem deus, vivo sem adeus, Vivi de tal modo todos os meus eus, que já não sei quem me dirá adeus.” Aqui, neste pontuar de personagens, cenas, cenários e figuras poéticas, o mundo de João Andrade mostra-se denso, encerrado em códigos, encapsulado, a espera dos desbravadores. Como expedicionários, os leitores trilharão por páginas, vias, ruas e vielas que cortam e entrecortam esta caminhada literária, conferindo definitiva universalidade conotativa a cada verso decifrado. Parafraseando-o: se o verso é espelho, se você o lê, de algum modo, a Poesia está viva em você.
