Napoleão - O pequeno -

    Victor Hugo

    Ensaio
    1996
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 8585669330
    Português Brasileiro

    Obra clássica de um dos maiores escritores franceses, é fascinante tanto como documento quanto como peça literária, seja pela grandeza do autor, seja pela relevância do tema que aborda. O nome Victor Hugo (1802-1885) é um dos expoentes máximos da produção literária de seu tempo, reconhecido mundialmente pela riqueza e vastidão de sua obra, que abrange poesia, teatro, prosa e romance. Todavia, pouco se fala sobre sua vida e escritos políticos. Sua atuação parlamentar se dará em dois momentos cruciais da vida política francesa: na constituição da II República (1848-1851) e, após a queda do império (1852-1870), em plena guerra franco-prussiana, na "assembleia dos rurais". Essa obra, redigida no exílio, em 1852, oito meses após o golpe de estado do "parodista que toma ares de imperador", emerge da radicalização do conflito das classes sociais, num período dramático para o povo francês. Napoleão - O Pequeno contém dois grandes momentos. No primeiro, a partir do golpe de estado, da derrubada da Assembleia Nacional pelas armas, do perjúrio do usurpador, da traição ao povo francês, Victor Hugo percorre passo a passo o massacre aos "inimigos da ordem", relatando detalhadamente situações, colhendo depoimentos e testemunhos, descrevendo a barbárie que amontoa cartuchos, vidros quebrados, corpos retalhados, com o vapor do sangue que exala dessa destruição. Ele se vale aqui de toda sua força de escritor, multiplicando verbos e adjetivos para que a realidade fale por ela mesma, para que se entenda a sentença bonapartista: "Que se executem minhas ordens!" No segundo, interpreta os acontecimentos que precipitaram o golpe de 2 de dezembro. Se na descrição do barbarismo o grito de indignação comanda os relatos, na interpretação, de prisma liberal, o autor salienta que "O ato é infame, mas o fato é bom". Para Victor Hugo, no subterrâneo misterioso da história, o golpe de estado de Luís Bonaparte se revela como uma iluminação, como desfecho de uma lógica inscrita no processo histórico. Aí, transparece o papel da providência divina na condução do mundo histórico. Napoleão, o pequeno, o "salvador da ordem", adentra o palco da história universal para golpear a imagem do poder despótico do império.

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    Aécio de Paula28/03/2021Resenhou um livro
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    Napoleão, o pequeno - Victor Hugo

    No dia 2 de dezembro de 1851, o presidente da republica francesa, Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho do imperador Napoleão, dava o golpe de Estado, ao dissolver a assembleia, da qual Victor Hugo fazia parte como político, e implantava o segundo império (1851-1870). Trocando em miúdos: A direita dava uma rasteira na velha esquerda republicana. Victor Hugo nesse livro, usando a sátira, o chama de "pequeno". Napoleão mandou prender todos os que estavam contra ele. Para não ser preso ou até executado, o escritor saiu da França e foi se exilar na Bélgica por vários anos. Percebe-se o ódio que o autor destila nesse livro. Ele chama Napoleão dos piores nomes: Bandido, ditador, vigarista, satânico, oportunista. Este livro foi proibido na França e entrava por meios clandestinos. Victor Hugo perdeu vários bens e teve uma vida difícil de exilado. Eu recomendo esse livro para as pessoas que querem entender esse período político sob uma visão parcial do autor. Se você procura diversão, não recomendo.

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