(Quase) Sempre é bom pegar um daqueles livros meio esquecidos nas prateleiras do para ler e alternar com os sucessos do momento. E sempre é bom perceber que a linguagem muda, a visão do mundo se alterna, mas a leitura sempre servirá para algo (e até mesmo para aquilo que pensávamos que ela não servisse).
Os contos de A ideia de matar Belina fazem parte desse mundo distante (mas nem tanto assim) no tempo, mas não no espaço (eu nunca havia lido contos que tomassem como referência o universo das corridas de cavalo).
Essa pequena obra é composta por uma série de contos detetivescos (sempre há um assassinato em cada um dos contos e, mais uma vez, o homicídio por envenenamento dá as caras, nesse que é um chavão do gênero policial), em que os maiores motivos são o interesse, a ambição, o dinheiro e, talvez, lá no fundo do crime, um pouco do amor não correspondido, do amor insatisfeito, do ciúme de não poder ter aquele que se ama.
No prefácio, diz-se que o autor criou o primeiro detetive na ficção nacional (o velho Leite) e quem sou eu para desdizer essa informação? Seja como for, é uma leitura parecida com todas as obras de literatura policial que conhecemos.
Mas, um momento: se pensarmos bem e com justiça, cada gênero (literário, artístico, musical...) tem suas características próprias e, muitas vezes, o que podemos considerar como plágio é na realidade a busca dessas características próprias, sem as quais o próprio gênero parece mudar de forma, de aspecto, de semblante. Afinal, sempre haverá um crime, uma vítima (ou até mais de uma), um assassino (ou até mais de um) e um ou mais motivos que levaram ao crime.
Acredito (sim, é um ponto extremamente subjetivo, eu sei) que o mais importante no gênero policial não seja o crime, a vítima ou o assassino, mas sim os comos e os porquês (como o crime foi cometido? Por que o crime foi cometido? Como o crime foi solucionado?). E, dito isso, sempre haverá novos comos e novos porquês para um gênero tão detratado pelos adeptos da chamada literatura culta...