Larry Weller é um homem igual a muitos homens, tentando simplesmente viver uma vida simples. Como diz um amigo de Larry, de mesmo nome, "no fundo, todos os homens do mundo chamam-se Larry". Shields nos leva a pessar pela vida de Larry durante vinte anos, a partir de 1977, quando o personagem tinha 26 anos, em episódios entremeados de flashbacks. De técnico em arranjos florais, empregado de uma floricultura, ele se transforma em designer de labirintos vivos, projetista de paisagens, enquanto passa por dois casamentos, enfrente dificuldade em se relacionar com o filho, reflete sobre sexo e sobre a arte de conversar, que ele não domina. É um homem absolutamente comum, capturado em seus detalhes cotidianos, alguns significantes, a maioria não, que mostram sua tentativa de se adaptar às cambiantes expectativas que a sociedade tedm do homeom: em meio à espontaneidade dos anos 70, do encantamento dos 80 e do egoísmo dos 90; tateando pela vida em busca de algo que não pode ver. A Festa de Larry é a vida de um homem tornado incomum pelo extraordinário carinho e sensibilidade de sua criadora.
A Festa de Larry -
Carol Shields
Coquetel de tédio até o belo desfecho (Sem Spoilers)
A Festa de Larry deixou o sebo da Rua 7 de Setembro em uma sacolinha de papel e chegou até a minha estante por conta da fortíssima influência de um outro livro de Carol Shields, vencedor do Man Booker Prize, chamado Os Diários de Pedra. Melhor livro de 2017 sem a competição chegar nem perto, Os Diários de Pedra foi tão forte pra mim, tão significativo, que quase dois anos e dezenas de resenhas depois, eu ainda o recomendo para todo mundo e estou, de certa forma, tentando exorcizá-lo. Dito isso, A Festa de Larry tem bem pouco em comum com Os Diários. Definitivamente não é um livro para ler se você estiver procurando por um enredo rápido e emocionante. Na verdade, não há muito enredo para falar, e nem muita emoção: o romance segue a vida de um homem chamado Larry de seus vinte até seus quarenta e tantos anos. Uma vida apática, passiva e carente dos elementos que fazem uma vida, de fato, valer a pena. Apesar da escrita poética e articulada, o livro é displicente, lento, possuindo um incômodo efeito narcoléptico que me fazia adormecer em menos de 10 páginas. As descrições são verborrágicas, prolixas, com muitos capítulos adicionando pouco ou quase nada ao enredo. A passividade exacerbada do protagonista e as tentativas da autora em tentar dar um significado ao ordinário se tornaram letais da metade pra frente, me causando apatia e cansaço. Se fosse pra resumir tudo, simplesmente eu diria que a autora é infinitamente mais talentosa escrevendo sobre mulheres do que sobre homens. Por fim, para ser completamente justo, a parte final do livro é muito bem escrita e muito bonita, com múltiplas vozes, múltiplos personagens, com a ação que faltou em todos os outros capítulos e com aquela sensibilidade tão marcante que encontrei em Os Diários de Pedra. Pena que isso tudo apareceu só no fim, quando, cansado e abatido, eu já não via a hora de partir para um novo livro. Recado pessoal à autora: "Prezada Carol Shields, eu ainda te amo, e embora eu talvez tenha sido excessivamente ácido nesta resenha, vou classificar A Festa de Larry como licença poética, já que você tem todos os pontos possíveis comigo". Leva 2 de 5 estrelas. Passagem interessante: ?-- Às vezes, Larry, você diz coisas que eu não tenho a menor ideia do que significam. ? Às vezes nem eu tenho ? replicou ele, engolindo em seco. Tinha a impressão de que engolira o amargor da sua própria essência. Ele não era o homem que tinha sido. Está mais rico e mais triste agora, e perdeu a habilidade de não se perder de vista? (pg 321)
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