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    O Ateneu -

    Raul Pompéia

    Ediouro
    1997
    223 páginas
    7h 26m
    ISBN-10: 8500104392
    Português Brasileiro
    3.2
    8449 avaliações
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    Escrito em apenas três meses, O Ateneu, de Raul Pompéia, é considerado o maior romance brasileiro do século XIX depois das obras realistas de Machado de Assis. Foi publicado em capítulos no jornal carioca A Gazeta de Notícias, entre 8 de abril e 18 de maio de 1888, e, devido ao reconhecimento imediato, foi editado em livro no mesmo ano. Seu enredo consiste na recordação do período de dois anos em que o narrador, Sérgio, passa num tradicional colégio interno do Rio de Janeiro. O ingresso no Ateneu marca as descobertas amargas que acompanharão o narrador daí em diante, os sentimentos de desilusão, opressão e desconfiança, componentes da profunda solidão humana. O romance enfoca a educação intelectual, a integração social e a afirmação sexual de Sérgio e de seus colegas: o dissimulado Sanches; o injustiçado e vingativo Franco; o atlético Bento Alves; e o enamorado Egberto. Entre eles, o sentimento de amizade é maculado pelos impulsos primitivos. Daí o tom da narração ser o de um ressentimento constante. Difíceis de definir, o estilo e o significado do romance geraram uma das mais profícuas polêmicas da história da nossa literatura, apresentada e antologizada cronologicamente no Posfácio pelo organizador Caio Gagliardi. Raul d’Ávila Pompéia (1863-1895), polemista radical, abolicionista e republicano, foi um dos maiores escritores brasileiros do século XIX e também um dos mais singulares. Além de O Ateneu, sua obra maior, legou-nos os romances Uma Tragédia no Amazonas, As Jóias da Coroa, os contos Microscópicos , os poemas em prosa Canções sem Metro , as páginas de crônicas e reflexões recolhidas em Alma Mortae Prosas Esparsas de Raul Pompéia.

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    Resenhas (580)Ver mais
    Clio picture
    Clio15/06/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O Ateneu é a história de um trauma descrito pelas mãos de quem o viveu e diferente da literatura atual, em que escritores simulam um livro de terapia com ficção, não há preparos para tornar essa uma leitura dinâmica e envolvente. A atmosfera acolhedora primeiramente apresentada da casa materna é bruscamente trocada para o ambiente árido do internato, o "ateneu", onde o protagonista passa a maior parte de sua adolescência. Não sendo alguém descrito como particularmente atlético, inteligente ou mesmo popular, restou ao autor a posição inferior que numa época em que agressões eram vistas como métodos de ensino naturais ou instituicionais, o relegava a miséria. Como muitos que revivem memórias violentas, Pompéia reproduz meticulosamente certos detalhes, como se a floração do quotidiano pudesse banalizar os incidentes. São portas abertas, livros fechados, cabelos escovados e outros artíficios recorrentes no texto que tem uma ótima estrutura em termos mais técnicos. Aqueles mais interessados no sensacionalismo barato das alusões de homossexualidade e castigos corpóreos vão ficar decepcionados. Essa é sobretudo uma obra circunspecta.

    124 curtidas

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