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    Um Mito Moderno Sobre Coisas Vistas no Céu -

    Carl Gustav Jung

    Vozes
    1988
    131 páginas
    4h 22m
    Português Brasileiro
    4.1
    28 avaliações
    Leram61Lendo14Querem116Relendo1Abandonos2Resenhas1
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    O boato mundial sobre os "discos voadores" coloca um problema que desafia o psicólogo enquanto profissional e médico das coisas da alma e da psique individual e social por uma série de motivos. A primeira pergunta é: Os discos voadores são reais ou simples produtos da fantasia? Esta questão não foi resolvida, ainda, de forma alguma. Se são reais, o que são, então? Se são fantasias, por que ela exerce tamanha atração e fascínio? Notícia sobre a existência de Ovnis são sempre bem-vindas para a mídia. Há realmente uma tendência em se acreditar em Ovnis, como também o desejo que eles sejam reais.Esta fato curioso já merece por si o interesse de um psicólogo como Jung. As páginas deste livro são uma tentativa de responder a estas questões.

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    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich06/02/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Com a maior curiosidade li as impressões de Jung a respeito do fenômeno OVNI/UFO. Ainda bem que deu tempo para o assunto desses objetos aparecer ainda em vida de Jung, de maneira que podemos ler o que ele pensava a respeito e ver de que maneira ele pode contribuir para o tema controvertido. Bem, no início do livro, Jung se mantém cauteloso quanto a questionar a realidade física dos óvnis. Sabe que este não é o seu terreno e por isso avisa que pretende se concentrar apenas naquilo que o fenômeno eventualmente possui de psíquico. Conforme a leitura progride e Jung vai analisando diversos sonhos que pessoas tiveram com óvnis, passando depois para pinturas, tem-se quase a impressão de que ele está jogando uma pá de cal em cima dessa história de os extraterrestres serem a explicação para o fenômeno. De fato, em tudo ele encontra referências psíquicas que explicam adequadamente todos os tipos de aparições relacionadas a óvnis. Ele mostra o quanto o nosso próprio inconsciente age na formação de mitos que, em nossa realidade tecnológica, expressam-se na forma de espaçonaves. Entretanto, quando o leitor já acha que todo o fenômeno pode ter sua materialidade descartada, ao menos em uma interpretação de Jung, e encontrar a sua razão de ser em insuspeitadas motivações do nosso próprio cérebro, capaz de criar imagens simbólicas no céu, vem o próprio Jung e confessa a sua perplexidade diante de manifestações físicas desses objetos voadores não identificados. Jung acha bem possível, e até provável, que uma pessoa projete no céu imagens do seu inconsciente, acha também possível que as imagens sejam compartilhadas com outra pessoa, mas não pode admitir que semelhantes aparições surjam em radares. Essa materialidade lhe parece impossível, ainda que ele não desconheça certas habilidades parapsicológicas que seriam capazes, em tese, até de materializar coisas, mas sempre próximas a algum médium, jamais projetadas no próprio céu. Por outro lado, como os óvnis costumam não obedecer ao que entendemos como gravidade, pois os seus movimentos geralmente não a respeitam, Jung não sabe o que pensar e, até mesmo, acha infrutífero especular sobre o que está por trás dos casos mais misteriosos de aparições. O resultado disso é que, embora tenha demonstrado o quanto pode haver de psiquismo no fenômeno, a hipótese extraterrestre sai até fortalecida do embate com Jung. A aplicação da psicologia do inconsciente na avaliação de relatos ufológicos se mostra um meio dos mais úteis para afastar algumas credulidades que se disseminam enormemente por toda a Ufologia, só que ela não dá conta de explicar todos os fenômenos de aparições. É interessante que, embora sustente a possibilidade de que as pessoas projetem suas aparições no céu, Jung se restringiu a analisar apenas sonhos e pinturas, e não relatos de quem viu ou alega ter visto diretamente, quando acordado, um objeto voador não identificado. Esses sonhos e pinturas, é natural, revelam muito daquilo que pode estar em jogo no momento em que uma pessoa acredita ter visto diretamente um óvni, mas não significa que reflitam exatamente essa experiência. Por outro lado, Jung apresenta uma interessante resposta a um argumento muito comum na Ufologia, que é o de destacar a posição ou os atributos de quem faz o relato como se isso fosse uma prova da veracidade da sua experiência. Assim, são destacados os pilotos e militares que avistaram óvnis, ou outras pessoas que eram reconhecidamente bem racionais e que, portanto, não teriam motivo para criar uma fantasia. Jung rebate o primeiro argumento falando sobre a “solidão aérea” e o quanto ela se torna propícia para que, pelo inconsciente dos pilotos, sejam projetadas imagens na imensidão ao seu redor. Em relação ao segundo, ele lembra que são precisamente as pessoas que se destacam pela racionalidade aquelas cujos inconscientes mais precisam se “esforçar” para manifestar uma realidade psíquica. Em outras palavras, quanto mais for racional uma pessoa, maior a tendência de ter tais “visões”. São comentários dos mais interessantes e me parece que a maior parte Ufologia atual já comprou totalmente a hipótese extraterrestre e aceita com complacência relatos que, claramente, dizem respeito à psicologia do “contatado”. Convém que a vida psíquica seja um fator considerado para a validação de um relato, se a Ufologia quer ser reconhecida como ciência.

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    Carl Gustav Jung

    Foi um psiquiatra suíço, fundador da psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana. Sua produtiva carreira se materializou na publicação de dezenas de estudos, ensaios e seminários. Já octogenário, reuniu em livro as memórias de toda a sua vida. Faleceu aos 86 anos em sua casa, nas margens do lago de Zurique, em Küsnacht, após uma longa vida produtiva que marcou -- e tudo leva a crer que ainda marcará mais -- a antropologia, a sociologia e a psicologia, bem como as arte, a literatura e a mitologia.

    105 Livros
    531 Seguidores

    Carl Gustav Jung