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    Nietzsche e a Auto-Superação da Moral -

    Edmilson Paschoal

    Unijuí
    2009
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788574297880
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    "(...) A moral que se pretende suplantar é aquela que inverte a relação de valor entre moral (dever) e homem. Como tem ocorrido na história recente do Ocidente, quando a lei moral foi colocada para o homem como algo dado, anterior a ele, em relação à qual seu campo de possibilidades estaria reduzido a agir de acordo ou em desacordo com ela. Sem se esquecer que, dessa liberdade, extremamente restrita, adviria “automaticamente” o “castigo” ante uma ação que estivesse em desacordo com a lei moral. Trata-se, assim, de suplantar a moral do “sujeito livre”, que tem por pressuposto o “querer livre” e a responsabilidade associada às intenções, a moral do “melhoramento do homem”, ou da domesticação do homem, que se associa a conceitos como “culpa”, “castigo”, “pecado”. Uma moral que exige o “cumprimento maquinal do dever”, que toma a lei como algo a ser cumprido independentemente de qualquer questionamento e avaliação, mesmo da possibilidade de ser uma exigência “além de toda utilidade, deleite, conveniência...”.

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    Paulo Silas Taporosky Filho picture
    Paulo Silas Taporosky Filho31/05/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A postura filosófica de Nietzsche com relação a moral é um tema que frequentemente aparece em leituras de forma equivocada ou incompreendida. Isso não se dá apenas pelos entusiastas leitores de resumos, de orelhas, de contracapas ou de algum ou outro aforismo sem qualquer seriedade ou contextualização da leitura. Os percalços eventualmente se fazem presentes até na leitura daqueles que lançam um olhar atento para o texto nietzschiano, mas que por alguma ou outra razão acabam tendo uma compreensão deturpada sobre os dizeres do filósofo do martelo. Qualquer um desses leitores deveria conhecer a obra de Antonio Edmilson Paschoal, pela qual - caso seja feita de forma atenciosa e séria - muitos equívocos seriam superados. Em "Nietzsche e a Auto-Superação da Moral", o autor aborda e explana com rigor e acurácia a critica à moral de Nietzsche, afastando o julgo de que o filósofo seria um relativista como alguns apressados pontuam, enquanto pontua que o martelar contra a moral não enseja em sua negação, mas sim na necessidade de se analisar a questão dentro de toda a sua complexidade. Daí que a "auto-superação", que consta no subtítulo do livro, deve ser lida e compreendida no âmbito de tudo aquilo que constitui a filosofia de Nietzsche, que pode ser vista por um perspectivismo, mas não por um relativismo. Dividido em duas partes, o livro apresenta inicialmente alguns conceitos de base da filosofia nietzschiana a fim de possibilitar uma melhor exposição na parte seguinte. Na primeira parte, "Alguns pressupostos da filosofia de Nietzsche norteadores de sua crítica à moral", as noções de verdade de poder e perspectivismo são explanadas. Na segunda parte, "Aspectos da filosofia moral de Nietzsche", a moral da crítica de Nietzsche à moral é abordada pelo autor, a partir do que se estabelece as premissas para que seja apontada uma moral do futuro por essa corrente. Com base nisso tudo, o autor conclui com acerto que "Nietzsche não é exatamente um filósofo avesso à moral", esmiuçando nesse ponto o pensamento nietzschiano. Tem-se assim uma obra filosófica muito bem trabalhada por um autor muito bem versado naquilo que trata, tratando-se de um livro que contribui para os estudos sobre os textos de Nietzsche.

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    Antonio Edmilson Paschoal profile picture

    Antonio Edmilson Paschoal

    Graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1985), mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1994) e doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (1999), com pesquisa desenvolvida na Freie Universität-Berlin. Realizou dois estágios de pós-doutorado, um primeiro na Universität Leipzig, com pesquisa na Biblioteca Anna Amalia em Weimar (final de 2007 início de 2008) e um segundo na Ernst Moritz Arndt Universität Greifswald (segundo semestre de 2010 primeiro semestre de 2011). Foi professor do Departamento de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná de 1987 a 2014 e membro do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCPR. Atualmente é professor da cadeira de "História da Filosofia Alemã: de Kant à Teoria Crítica" do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Paraná, membro do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFPR e pesquisador (PQ-1D) do CNPq. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase na filosofia posterior a Kant, atuando em projetos sobre a "má consciência e o ressentimento" e "os limites da razão", nos quais desenvolve estudos sobre aspectos da filosofia de Nietzsche em interface com o pensamento de Kant, Dostoiévski, Schopenhauer e Foucault. Tomou parte em comissões do MEC, SEED-PR e ANPOF, coordenou o GT Nietzsche da ANPOF e atuou como avaliador e parecerista para a CAPES, o CNPq e para vários veículos de publicação da área de Filosofia. É autor de traduções e de publicações autorais, destacando-se os livros A genealogia de Nietzsche, Nietzsche e a auto-superação da moral e "Nietzsche e o ressentimento" (em fase de editoração). Atualmente é um dos editores da Revista Estudos Nietzsche, do grupo de estudos de Nietzsche da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia.

    2 Livros
    3 Seguidores
    Paraná, Brasil

    Antonio Edmilson Paschoal