O amigo distante -

    Christoph Hein

    Dom Quixote
    1987
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-1: 0
    Português

    Uma mulher hesita em comparecer a um funeral. Tem trinta e nove anos, é divorciada e mora num grande prédio anônimo. Exerce medicina numa clínica, mas não tem qualquer ambição. É desprovida de convicções políticas e procura reprimir sentimentos, sob pretexto de que podem fazê-la sofrer. Um dia, estabelece uma ligação com um vizinho arquiteto. Encontram-se duas vezes por semana. Nunca mencionam um ao outro seus problemas particulares. Um ano mais tarde, alguém bate à porta e lhe comunica a morte do amigo.

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    jota 1102/12/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    BOM: um romance escrito na então Alemanha Oriental que ao mesmo tempo em que parece ser frio e distante, também é bastante intimista.

    Lido entre 15 e 30 de novembro de 2022. Avaliação da leitura: 3,8/5,0 Em Portugal o livro se chama O Amigo Distante; o original alemão de 1982 é Der fremde Freund, que no tradutor do Google dá O Amigo Estranho; o título da edição americana é The Distant Lover, ou seja, O Amante Distante. Estranho ou distante seria Henry (amigo e amante) ou estranha e distante seria Claudia (amiga e amante)? Ou seriam ambos? Antes de mais nada, o autor, Christoph Hein, nasceu em 1944 nas vizinhanças de Leipzig e toda a ação decorre em plena Alemanha Oriental dos anos 1980, especialmente em Berlim. Mas a política não tem grande papel aqui, porque essa é uma história bastante intimista, trata das confissões de uma mulher de cerca de quarenta anos. Impressiona como o autor, um homem, faz o leitor se esquecer disso; você mergulha no mundo da narradora como se ela estivesse não distante, pelo contrário, muito próxima, discorrendo sobre sua vida e sobre a vida dos outros, familiares, vizinhos, colegas de trabalho, amigos e amantes. Também fala de uma amiga de infância, Katharina, amizade essa que evoluiu para um desfecho inesperado, que a perturba ainda hoje. Assim, Claudia passa a maior parte do tempo falando sobre si própria, claro, não podia ser diferente. E tudo é dito através de frases curtas, resumidas, sintéticas, cinematográficas mesmo; ela (Christoph Hein, na verdade) consegue dizer muito com poucas e certeiras palavras. Alguns estudiosos viram na obra a influência do moderno romance francês, especialmente de escritores como Alain Robbe-Grillet, Marguerite Duras e outros. Mas vamos lá: Claudia tem 39 anos, é médica em Berlim, vive sozinha num pequeno apartamento e tem vizinhas curiosas, uma delas que convive com inúmeros pássaros. Nas horas vagas fotografa rochas, árvores, paisagens vazias, e isso tem a ver com o modo como vive, formal e distante dos outros, o tipo de existência que cultiva. Logo no início da narrativa ela recebe a notícia de que outro morador do edifício, o arquiteto Henry, morreu. Hesita em comparecer ao funeral dele. Claudia e Henry eram mais do que amigos, eram amantes, mas de um modo diferente, distante mesmo, daí o título do livro. Ela era divorciada de um colega também médico, que agora corteja a irmã dela; Henry era casado, a mulher e os filhos viviam em outra cidade, ele pouco os visitava. Apreciava velocidade, corria demais com seu carro, porém não morreu num acidente automobilístico, mas de uma forma até patética, que somente nos é revelada nas páginas finais. Até que cheguemos lá, passaremos por várias páginas em que Christoph Hein demonstra todo seu talento para contar histórias.

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