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    Mar de Histórias: Antologia do Conto Mundial Volume 08 - No Limiar do Século XX

    Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Paulo Rónai

    Nova Fronteira
    2014
    310 páginas
    10h 20m
    ISBN-13: 9788520932650
    Português Brasileiro
    4.1
    15 avaliações
    Leram33Lendo3Querem77Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos1Desejados77Avaliaram15

    A obra completa da coleção Mar de Histórias, antologia do conto mundial é composta de 10 volumes independentes, contém nada menos que 239 contos escolhidos entre os melhores de 192 autores pertencentes a 41 literaturas. Foi empreendida há mais de quarenta anos por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Paulo Rónai. O material está disposto por ordem cronológica da publicação dos contos. Cada um deles é precedido de uma introdução que o situa na obra de seu autor e na respectiva literatura. Notas abundantes facilitam a compreensão dos textos.

    Resenhas (2)Ver mais
    Henrique Luiz Fendrich picture
    Henrique Luiz Fendrich06/12/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    É um ótimo volume, esse número 8. Tem, até agora, o melhor início de todos, porque o conto “O tenente Gustl”, do Arthur Schnitzler, é uma das grandes pérolas da literatura de todos os tempos. Fluxo de consciência vários anos antes de Joyce e ainda remete-me à literatura russa, com aqueles tipos esquisitos do Gógol. E na sequência já tem um Thomas Mann com o curioso “Agnus Dei”. Não demora muito e aparece o Anatole France com o expressivo “Putois”. Depois o surpreendente Lafcadio Hearn, que me pareceu uma espécie de Poe greco-japonês. “Diplomacia” é um conto em que se combina um gesto para depois de um homem ser guilhotinado, a exemplo de um conto do Villiers de L'Isle-Adam, só que com um belo toque oriental. Mais para frente, teremos excelentes momentos com Ricarda Huch (“O cantor”), Andreiev (“O grande Slam”), Stephen Leacock (o humorista incrível de “O destino terrível de Melpomenus Jones” e “A vingança do prestidigitador”) e Naoya Shiga (“A morte da mulher do atirador de facas”). Belos contos também dos desconhecidos Ivan Čankar (“A dessétitsa), Jules Lemaître (“Muito tarde”), Ferenc Molnár (“Conto de ninar”), Rafael Barrett (“A mãe” e “A carteira”), Arnold Bennet “O assasinato do mandarim”), Zygmunt Nidzwiecki (“O dote”) e Johannes Vilhelm Jensen (“Na paz do Natal”). Esse livro tem, provavelmente, a maior quantidade de contos que eu elogiei, entre os oito volumes que já li. Ah, sim, tem ainda um conto do O. Henry, apesar da pouca consideração que os organizadores do livro demonstraram em relação a ele. Há dois brasileiros, o sempre difícil Coelho Neto e mais o Simões Lopes Neto, além de latinos como Javier de Viana e Ernesto Montenegro, e o místico Francis Jammes de “O paraíso”. Um “porém” do livro é o famigerado Strindberg, com um conto, a meu ver, mal escolhido, pois o conto histórico “O império milenar” precisou de 35 notas de rodapé para que a gente tivesse ideia do que é que o escritor estava falando. Se eu quisesse ler contos históricos era uma coisa, mas essa pretende ser uma antologia genérica, e creio que o Strindberg, apesar de toda a misoginia, teria contos mais agradáveis. Também percebi, um incrível preconceito dos dois organizadores em relação à literatura japonesa antiga, dizendo que só a partir de 1868 é que se podia falar em "literatura. Os dois, em verdade, são muito chatos nos seus comentários introdutórios. Mas a seleção do livro é muito boa e ele vale muito a pena de ser lido.

    3 curtidas

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