Poesias -

    Manoel de Barros

    Leya
    2013
    59 páginas
    1h 58m
    ISBN-13: 9788580449372
    Português Brasileiro

    Poemas apresentados por um Manoel de Barros confessional, contando, no estilo modernista, episódios isolados aparentemente pinçados de sua infância, adolescência e juventude.

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    @psi.adriana.scarpin21/04/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A boca

    "Por mim passavas - a água mais pura - e eu sofri sede. Agora penso nessa abertura com que por cem anos me envenenaste, com que por cem anos a minha infância tornaste impura, tornaste indigna de andar ao lado de outras infâncias... Agora penso deixar na fenda de tua boca, dissimulada, todo o veneno de que me inundas. Porém és morta resignada, ó boca amarga de namorada nunca atingida, sempre anelada, boca perdida para as saudades, jamais beijada. Dorme entre flores. (Será dos anjos?) Vai para os anjos vai para os pássaros do firmamento, ó boca amarga, que me enganavas com aquele riso posto no canto! Por mim passavas - a água mais pura - e eu sofri quanto. Estás no seio da morte, quente como na terra; me conturbavas como na rua tu exibias teus belos dentes... Vai, grota rasa! Flor obscura na minha infância desabrochada, continuada na adolescência perto de casa, na vizinhança, solta na rua como uma fruta covil aberto de mil acenos, cobra na rua que me mordia, que me injetava sutis venenos... Vai, pesadelo, noites de insônia, pura miragem de minha sede; vai para o diabo que te carregue, não me persiga: sai, boca morta!"

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