Desafiador
A Cidade de Deus traz a interpretação e ensinamentos de Santo Agostinho, expoente dos primeiros séculos do Cristianismo. Há verdadeiros tesouros na extensa obra, principalmente em seus capítulos intermediários e finais. Cita muito filósofos reconhecidos, como Platão e os contrapõe. Os primeiros capítulos são mais cansativos e extenuantes. Aborda deuses antigos e mitológicos gregos e romanos e tenta demonstrar, racionalmente, porque não são verdadeiros deuses, como o é o Deus de Abraão e Moisés. Alguns trechos de que gostei: "A inocência, pois, não exige apenas não fazer mal a ninguém, mas também afastar o próximo do pecado ou castigar o pecado". "Para que o erário fosse opulento, e de pouca monta as riquezas particulares. Corrompidos os costumes, o vício fez o contrário: para o Estado, pobreza; para os indivíduos, opulência". Não lembra um certo presidente, comprando avião novo para ter um quarto maior para esposa, roupa de cama de linho egípcio de dezenas de milhares de reais, móveis de milhões, cascatas na residência, enquanto estrangula a economia e endivida o país? Enquanto o Estado declina e vai de mal a pior, esbanja dinheiro público e usufrui da riqueza que deveria ser de todos - e não de poucos. "Se, por conseguinte, o homem foi criado para atingir, pela excelência do ser, o Ser por excelência, quer dizer, o único Deus verdadeiro, soberanamente bom, sem o qual natureza alguma subsiste, nenhuma ciência instrui e nenhum costume convém, busquem-no onde tudo é segurança, contemplem-no onde tudo é certeza, amem-no onde tudo é justiça". Sobre buscar a Deus acima de tudo e de todos. "Na realidade, não se chama, com razão, "homem bom" a quem sabe o que é bom, mas a quem ama o bom". "Os bons usam do mundo para gozarem de Deus. Os maus, ao contrário, usam de Deus para gozarem do mundo." "Houve entre eles um mau; porém, o Senhor, usando bem de sua maldade, serviu-se dele para cumprir o decretado quanto à sua paixão e dar exemplo de tolerância à Igreja" (Sobre Judas e como devemos entender que mesmo o mal que alguém faz é utilizado para a obra de Deus, no fim das contas)

