Ler Jane Austen é sempre um prazer. No primeiro livro tive muita dificuldade com a linguagem e demorei a entender todo o contexto (Inglaterra, século XIX) em que se passam suas histórias. Emma foi o quinto livro e talvez por isso eu tenha me deliciado e me divertido tanto. Cada cena era perfeitamente ilustrada em minha mente e que prazer senti!
Emma é o retrato das imposições sofridas pelas mulheres de sua época. Uma jovem rica, bonita, inteligente, um tanto quanto inexperiente e disposta a saber o que é melhor para si e para os outros e interferir o quanto puder em suas vidas. Teria como dar certo? Óbvio que não! Mesmo assim é interessante acompanhar o desenrolar das suas tramas. Emma tem muitos defeitos. Talvez a presunção seja o maior deles. Ela acredita tanto no seu julgamento como verdadeiro e mesmo diante das evidências, muitas vezes se entrega ao orgulho e não abre mão dos seus planos mirabolantes.
Emma também tem suas qualidades. A que mais me causou afeição foi seu cuidado com o pai, um homem hipocondríaco, que detesta qualquer tipo de mudança, principalmente se essa mudança envolver correr risco de pegar um resfriado ou casamentos. Emma é paciente com ele, dispensando-lhe seu tempo, sua paciência e até mesmo colocando em risco sua felicidade futura ao prometer a ele que nunca se casaria. Talvez o peso dessa promessa tenha feito com seu desejo reprimido fosse satisfeito indiretamente por sua obstinação por dar uma de cupido, juntando casais. Ela se julga a mais promissora casamenteira mas tem ao seu lado o cunhado George Knightley, sempre disposto a puxar sua orelha e trazer seus pés de volta ao chão. Ele faz isso quando ela influencia sua amiga Harriet Smith a dispensar um rapaz que a amava para voltar sua atenção ao Mr. Elton, o pároco local, que na verdade não tem interesse nenhum na moça e acaba se casando com uma jovem rica e vulgar.
Quando chega ao local o enteado de sua ex governanta sra. Weston, o jovem Frank Churchill, Emma se sente bastante interessada. Esse interesse posteriormente diminuirá mas não antes de trazer bastante desentendimentos e contratempos a vários outros personagens da história.
No fim das contas, Emma fala sobre isso que chamamos de humano: imperfeito mas ao mesmo tempo incrível, forte, resiliente. Muitas vezes achamos que algo é certo quando na verdade estamos olhando apenas do nosso ponto de vista. Como isso pode nos cegar e nos prejudicar.
Emma aprenderá a ser mais humilde, nomeará seus sentimentos e reconhecerá seus erros, buscando aperfeiçoar seu caráter. Uma leitura que valeu cada minuto que a ela dispensei.