Imaginem a sensação de perder tudo que se tem de importante na vida e se ver obrigado a continuar vivendo. Foi o que aconteceu a Neil Peart em 1997, quando sua filha única, Selena, de 19 anos, morreu em um acidente de carro e, menos de um ano depois, sua esposa Jackie, com quem vivia em uma união estável há 22 anos, morreu vítima de câncer.
Ele então se lembra de algo que sua esposa dissera a ele antes de morrer: "Ah, apenas saia por aí em cima de sua moto". Assim, Neil resolve sair em uma viagem de moto pelo Canadá, Estados Unidos e México, viagem que foi para ele a "Estrada da Cura".
Eu, como fã do Rush e conhecendo a história do Neil, fiquei muito interessada nesse livro e o comprei logo que foi lançado em português, tanto pela curiosidade de ler algo escrito pelo Neil (ele já escreveu outros livros relatando suas viagens de bicicleta e moto, mas eu ainda não havia lido nenhum) quanto pela vontade de conhecer essa história pelos olhos dele. E é incrível como ele consegue transmitir as próprias emoções no livro, fazendo com que o leitor sinta o mesmo que ele está sentindo. Prendi o choro várias vezes enquanto lia.
Algumas coisas no livro foram particularmente interessantes para mim. Primeiro, as menções que o Neil faz ao longo do livro a algumas de suas composições e às inspirações para elas. Outra coisa que me chamou a atenção foram as várias referências aos seus autores preferidos, cujos livros acabaram influenciando parte do roteiro de viagem. Também adorei o fato de ele ter incluído diversas cartas enviadas a amigos e familiares e trechos do seu diário, tornando a leitura mais pessoal. Por último, amei que em todo início e fim de capítulo o Neil incluiu o trecho de alguma música do Rush que se relacionasse com os acontecimentos narrados no capítulo (sim, eu cantei todas enquanto lia kkk).
Para quem gosta de relatos de viagem, o Ghost Rider também é um prato cheio, pois o Neil descreve com detalhes as paisagens dos lugares por onde passou.
Não é uma leitura fácil. O texto é bastante detalhista e por se tratar de uma história real, não tem momentos de clímax e reviravolta. Mas o Neil tem uma forma muito poética de narrar os acontecimentos, o que faz o leitor se deleitar com cada palavra.
Resenha completa na Sociedade dos Leitores Compulsivos