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    Do Outro Lado do Rio, Entre as Àrvores -

    Ernest Hemingway

    Bertrand Brasil
    2014
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9788528618938
    Português Brasileiro
    3.5
    191 avaliações
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    Favoritos4Desejados488Avaliaram191

    Iniciado nos primeiros meses de 1949, quando o autor passava suas férias na Itália, em Cortina d’Ampezzo, continuado em Finca Vigia, sua fazenda perto de Havana, concluído e revisto em Veneza, nos primeiros meses do ano seguinte, Do outro lado do rio, entre as árvores demonstra uma vez mais a precisão formal com que Ernest Hemingway escrevia: a linguagem direta, as pinceladas curtas, o todo descrito pela exatidão minuciosa do pormenor, as personagens reais, palpáveis quase. Na época de seu lançamento, os críticos americanos e ingleses receberam com fortes reservas o novo livro do já então famoso Hemingway, embora ele próprio o considerasse uma dos melhores que já escrevera. Em Do outro lado do rio, entre as árvores, o autor, pela primeira vez, explora de forma sentimental o amor, a morte e o choque com o mundo em que vive. Como protagonista da história, tem-se o coronel Richard Cantwell, da Infantaria dos Estados Unidos, que aos cinquenta anos se vê dominado por um tédio existencial e regressa ao norte da Itália numa espécie de busca do tempo. Depois dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial, com famílias ainda chorando pelos mortos, e civis e militares caminhando rancorosos pelas ruas, os relatos de Cantwell impregnam-se de melancolia de quem viu como tudo aconteceu. Hemingway coloca muito de si próprio na figura do coronel, nesse retorno simbólico à juventude e à paixão por uma linda mulher mais jovem. Contudo, a comunhão de fundo com diversas e curiosas aproximações possíveis entre o protagonista e o romancista não se prende às coincidências factuais, e sim a um sentimento de exaustão em relação às guerras.

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    Pedro Machado picture
    Pedro Machado10/01/2022Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Amor, Guerra e Morte.

    '“A morte”, pensou ele, “é uma merda. Chega até você em pequenos fragmentos que mal mostram por onde entraram. Ou então, às vezes, surge de maneira atroz. Pode vir por causa da água não fervida, a pata infectada de um mosquito, ou então pode chegar junto com o estrondo disforme, flamejante, com o qual sempre convivemos. Vem com pequenos ruídos rasos que precedem o  da arma automática. Pode vir com o fulgor e a fumaça da granada descrevendo uma parábola ou com a queda abrupta de um morteiro. Eu a vi chegar soltando-se das entranhas de uma bomba e caindo em uma curva estranha. Ela vem com o impacto estardalhaçante de um veículo ou com a simples falta de freio, numa estrada enlameada.'

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