Esta obra discute, de forma instigante e inovadora, o tema “samba e identidade nacional”, abordado de forma genérica pela historiografia que cobre o período Vargas. Contestando os autores clássicos da história da cultura brasileira, que definem o ritmo como música portuguesa com influência negra, o autor, que é músico, demonstra, com base em uma bem documentada pesquisa, que o samba se originou, sim, na África. E, também, como e em que contexto deixou a marginalidade no começo do século 20 para se transformar em produto de valor comercial e um dos ícones mais simbólicos do Brasil contemporâneo - ainda que, para tal, tenha sofrido um processo de “branqueamento”. Siqueira privilegia as matrizes da conformação (religiosa e lúdica) do samba, para fundamentar sua reflexão, enfatizando a estrutura musical e rítmica, e não as letras de música. Ele estuda as relações entre o samba e a construção de uma identidade nacional, analisando os personagens e os formatos musicais do gênero que serviu como catalisador da brasilidade.