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    Mr. Gwyn -

    Alessandro Baricco

    Alfaguara
    2014
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788579622861
    Português Brasileiro
    4.2
    100 avaliações
    Leram159Lendo7Querem143Relendo1Abandonos0Resenhas11
    Favoritos18Desejados143Avaliaram100

    Alessandro Baricco é um dos escritores fundamentais da atual literatura italiana. Em Mr. Gwyn, ele costura, com delicadeza e humor, uma narrativa que aos poucos ganha contornos de fábula: Jasper Gwyn, escritor de sucesso, decide abandonar a literatura à procura de uma questão mais essencial, que perpassa as histórias e a vida de cada um de nós. O quê, exatamente? Nem ele sabe ao certo, mas a necessidade de algo mais profundo o impele ao desconhecido. Aos poucos, deixando-se levar pelos sentimentos e auxiliado por companheiros cativantes, ele mergulha - e mergulha o leitor - numa busca pelo poder transformador da palavra. Para descobrir, assim como nós, como cada pessoa é composta de histórias; de grandes histórias. Mr. Gwyn é um livro que nos convida a refletir sobre a criação, o tempo, a amizade, o ver e o deixar-se ver. É também uma jornada ao núcleo fundamental da literatura, e uma amostra de como ela transforma cada um de nós.

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    Resenhas (11)Ver mais
    Paula Dutra  PIPA picture
    Paula Dutra PIPA04/03/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um thriller poético.

    A ousadia de Baricco é ter escrito um livro sobre a possibilidade de desaparecer, com o objetivo de se reencontrar. Corriere della Sera Publicado originalmente em 2011, Mr. Gwyn, do escritor italiano Alessandro Baricco, finalmente chega ao público brasileiro (lançamento previsto para março de 2014 nas livrarias), em edição da Alfaguara com tradução de Joana Angélica d'Avila Melo. Cada livro de Alessandro Baricco que leio é uma surpresa, um segredo que aos poucos ele vai revelando ao leitor, mantendo-o sempre intrigado, até a última página. Nenhuma palavra parece sobrar nesse texto que é sempre muito poético. Com capítulos curtos e uma aparente simplicidade (digo aparente por que não há nada de simples na narrativa de Baricco, uma narrativa riquíssima na construção de imagens poéticas), ele continua inovando a cada livro, mas mantendo seu estilo elegante e delicado que me encanta sempre. E a cada página ficamos com a sensação de que a literatura para ele é um divertimento, algo encantatório e mágico com o qual ele brinca de enfeitiçar os leitores, mas não sem fazer parte do jogo. Em Mr. Gwyn, a literatura e sua construção são parte da trama. Jasper Gwyn é um escritor famoso, que um dia se dá conta de que nada do que tem feito para ganhar a vida até então faz sentido. Ele decide escrever um artigo para um bem conceituado jornal inglês listando 52 coisas que ele não pretende mais fazer, sendo a última delas publicar e escrever livros. Seu artigo causa grande rebuliço na imprensa e deixa seu agente literário em desespero. Tom, o agente, acredita que isso é comum entre os escritores, que é algo passageiro, pois já ouviu de vários que não iriam mais escrever, e afirma que para um escritor "não é possível viver sem a escrita". Mas Jasper é esse sujeito peculiar, que tem hábitos esquisitos, como frequentar diariamente lavanderias por toda cidade, que não quer ter filhos e tende ao isolamento (e aqui Baricco brinca um pouco com esse estereótipo que existe acerca dos escritores). Seu agente é seu único amigo, a única pessoa com quem ele conversa e que sabe dos seus segredos. Algum tempo depois da publicação do artigo, Jasper encontra uma senhora que procura abrigo por conta da chuva na sala de espera de um consultório médico onde ele aguarda para fazer alguns exames. Sem escrever, Jasper passou a ter problemas de saúde, desmaios, e sem saber o que fazer, já que não pode mais escrever porque publicou isso na imprensa, recorre aos exames para encontrar o que lhe inquieta. É por conta dessa conversa com a senhora, que é também a única pessoa com quem ele quer conversar, que Jasper começa a procurar outra forma de realizar sua escrita, que nem ele mesmo sabe como isso será. Um passeio a uma galeria de arte, onde vê quadros que são retratos de pessoas, e ele decide que fará retratos escritos, algo totalmente diferente de uma simples descrição. E a história se desenvolve nessa busca de como fazer esse retratos, uma metáfora da própria atividade de escrita, que é essa busca de uma história, sem nem sempre saber onde chegará ou qual a fórmula para fazê-lo. A melhor definição que encontrei é de que é a história de um escritor que precisa desaparecer para poder se reencontrar. Uma descoberta que nos surpreende como só os livros de Baricco podem fazer, mas que não deixa de ser uma fábula sobre a amizade, sobre o processo criativo, uma viagem poética e inquietante como é a própria literatura e os mundos que ela nos faz descobrir. Alessandro Baricco. Mr. Gwyn. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014. 224 páginas. Tradução: Joana Angélica d'Avila Melo "Do que somos capazes, pensou. Crescer, amar, fazer filhos, envelhecer - e tudo isso enquanto estamos também em outro lugar, no tempo longo de uma resposta que não veio, ou de um gesto não concluído. Quantos caminhos, e com que passo diferente os percorremos, naquilo que parece uma única viagem." "Jasper Gwyn me ensinou que não somos personagens, somos histórias.[...] Jasper Gwyn dizia que todos somos alguma página de um livro, mas de um livro que ninguém jamais escreveu e que procuramos em vão nas prateleiras de nossa mente. Ele me disse que aquilo que tentava fazer era escrever esse livro para as pessoas que o procuravam. As páginas certas. [...] Olhava essas pessoas. Por muito tempo. Até ver nelas a história que eram.[...] Nós somos um monte de coisas, e todas juntas".

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    • 4 estrelas46%
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    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas1%
    Alessandro Baricco profile picture

    Alessandro Baricco

    Alessandro Baricco é um dos nomes fortes da moderna literatura italiana. Recebeu o prêmio Médicis Étranger, na França, e Selezione Campiello Viareggio e Palazzo al Bosco, na Itália. Sua narrativa é escorregadia, exige atenção e cuidado, está marcadamente influenciada pela narração oral e também pela literatura oriental. Lembra Akutagawa, em sua leveza e objetividade. Nascido em Turim em 1958, Baricco parece inclinado a narrar histórias de empreitadas. Foi assim com "Esta História" (tradução de Roberta Barni, também lançado pela Companhia das Letras), seu romance anterior e que o tornou mais conhecido no Brasil. O livro narra a vida do italiano Ultimo Parri, pelo ponto de vista de diferentes narradores. Baricco tem uma produção extensa, e boa parte de sua obra tem tradução no português. "Seda", no entanto, é o livro com maior repercussão do autor. Foi traduzido para 16 idiomas e virou filme pelas mãos de François Girard, com Michael Pitt como Hervè.

    54 Livros
    48 Seguidores

    Alessandro Baricco