“Vento seco e frio proveniente do Saara que sopra em direção oeste ou sul para costa Africana. O Harmatã leva consigo uma quantidade razoável de poeira do Saara, deixando sobre a costa africana, um incrível véu poeirento e como consequência os aeroportos são fechados, a fim de evitar acidentes. Em Harmatã, de Pedro Cobiaco, o vento sopra forte levando quase tudo dos corações de Fábio e Lua, um casal separado pela distância, que ainda compartilham do mesmo sentimento de afeto.
Harmatã -
Pedro Cobiaco
Uma HQ pra quem já amou. - Resenha do Blog Nebulosa de Flores
Harmatã é uma HQ de Pedro Cobiaco, lançada em 2015 pela Editora Mino e que nos trás uma história repleta de diálogos e sensações que muitos de nós já sentimos. Essa foi a primeira história em quadrinho que eu comprei que passa longe da ação e terror, e confesso que não sabia o quanto estava precisando ler um drama, até começar este. Que surpresa incrível! Nesta breve história, nós acompanhamos os diálogos de um casal, Fábio e Lua, separados pelas surpresas do destino, e descobrimos, da forma mais intensa possível (seja pela arte ou pelas palavras) os fantasmas que se abateram sobre cada um deles após a separação e o que aquela decisão os fez aprender sobre a vida. Harmatã é uma obra lírica, ou seja, que foca nas metáforas e no interior do personagem para nos mostrar os acontecimentos, desde o momento em se conheceram, até a separação e a dolorosa reaproximação, que os fazem reviver todos os acontecimentos de seu relacionamento - sejam os bons ou os ruins. Logo que vi a capa de Harmatã eu já fiquei encantada com a arte! Tem tantos detalhes e cores! A contra capa também tem uma arte sensacional, com a mesma carga de sensações. Então, quando comecei a folhear as primeiras páginas, não me surpreendi ao encontrar ilustrações firmes e detalhadíssimas. Às vezes eu sentia que eram praticamente pinceladas rápidas, para transmitir ao máximo as emoções e insegurança, antes que elas "esfriassem". E além dessa ilustração poderosa, a HQ se utiliza de outros recursos para nos imergir mais na história do casal e isso é incrível. Uma dessas ferramentas, que reparamos logo no início, são as fontes. O Fábio tem uma letra maiúscula em todas suas falas, é intenso e cheio de sentimento; enquanto Lua tem uma caligrafia menor, redonda e insegura, quase trêmula. Eu fiquei encantada. Além disso, há elementos que literalmente torna a história palpável, como a carta que Lua envia para Fábio, que está ali, pra nós leitores abrirmos e lermos. É um choque de imersão. Por fim, Harmatã é um turbilhão. Sentimentos, imagens, palavras ditas e outras jamais pronunciadas que se acumularam e marcou profundamente a vida de duas pessoas que ainda se amam. É um drama poético que para mim é como uma maré, incontrolável, mas algumas vezes calma. É também uma história sobre um amor cotidiano, desses que muitos de nós já vivemos, mas que termina sem consentimento e depois se acende novamente (se é que um dia se apagou), sem pedir pedir permissão. É sobre o amor e a distância, a falta, a saudade e o perdão. Recomendo muito!
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