Devi está a ter um dia estranho: acabou de receber uma chamada do futuro. Pior... quem lhe ligou foi ela própria! Devi desperdiçou três anos da sua vida a namorar com Bryan - o bonito, adorável e pulha do Bryan. Devi afastou-se dos amigos, desleixou-se nos estudos, não se juntou a clubes… e como Bryan acabou com ela mesmo antes do baile de finalistas, não lhe sobrou nada. Nem mesmo um telemóvel - deixou cair o seu numa fonte. Agora só liga para um número… o seu! E quem atende é ela própria… três anos mais nova! Mal recupera do choque e convence a sua versão mais nova de que não está doida, Devi apercebe-se que tem uma oportunidade de ouro. Pode dizer ao seu "eu" mais jovem todas as coisas certas a fazer… porque ela própria já fez todas as erradas! Se a jovem Devi aceitar os seus conselhos, pode manter os amigos, candidatar-se a uma boa universidade, tornar-se uma estrela, e mais importante, poupar-se ao desgosto amoroso de Bryan! Mas a Devi de 14 anos já não tem tantas certezas. Ela gosta de Bryan. É feliz. Mas a quem melhor dar ouvidos do que ao seu futuro "eu"?
Me Liga
Primeiramente gostaria de fazer uma confissão. Por favor, queridos leitores. Não me julguem. Confesso que decidi pela leitura do livro Me liga apenas por um motivo – por sua bela capa. Aahh!!! Eu sei. Sou ré confessa, reincidente e já confessei que cometi várias vezes a mesma infração, mas tentem compreender é mais forte do que eu. Foi paixão à primeira vista. Olhei pra capa e o imaginei em minha estante. E voi lá! Mas não pensem que eu saio por aí me oferecendo pra qualquer livro não. Pra passar pela minha mão além de uma carinha bonitinha o livro tem que ter algo mais, tem que ter conteúdo, ora essa. Então, após o primeiro impacto me dispus a ler o primeiro capítulo disponibilizado no site da Galera Record. E pronto. A minha decisão estava tomada. Decidi conhecer o trabalho de Sarah Mlynowski ainda que após o término do primeiro capítulo uma luz tenha sido acionada para me alertar: “Pode ser interessante, engraçado. Mas acho que você não deve esperar nada muito diferente!” Bem decidi escutar a minha intuição e comecei a leitura meio que na retaguarda. A sinopse já nos dá uma breve noção do que está por vir. Ainda que fique implícito a sua previsibilidade decidi apostar na história de Sarah. Queria saber como ela conduziria a história. A premissa é tão ousada e inovadora quanto às reprises da Sessão da Tarde. Tudo acontece mais ou menos assim: Devi está passando por um momento muito difícil da sua vida. Seu namorado Bryan terminara o namoro de quase três anos e meio e, claro, a vida da jovem acabou. #Ohquedesastre Devi e Bryan estão juntos desde o primeiro ano do colegial. Bryan significa tudo pra Devi. Quando eu disse tudo, é tudo mesmo. O baile de formatura está próximo e Devi não sabe o que fazer já que toda sua vida até aquele momento fora dedicada a Bryan. E qual é a melhor maneira de se curar uma fossa? Ir às compras, claro! Mas o que Devi nem imagina é que sua vida está prestes a sofrer grandes mudanças. Devi é uma pessoa que não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, tipo respirar e andar, muito menos falar ao telefone ao mesmo tempo. Graças a sua falta de “habilidade” Devi deixa cair seu celular dentro do chafariz do shopping. O desespero toma conta da moça. Em total desespero Devi o resgata e tenta fazer contato. Aperta inúmeras vezes as teclas: Um. Nada. Dois. Nada. Três, quatro, cinco, seis, sete, oito. Jogo da velha. Nada. Aperta novamente o botão de ligar. Nada de novo.O nove, o oito, o sete,o seis,o quatro, o um de novo. Ai, meu Deus! Mais que coisa chata! Pra quê isso? Aperta tudo de novo! É pra vocês verem o quanto essa parte do livro é sensacional. Enfim, foi de propósito. Isso foi pra vocês perceberem o quanto Sarah foi criativa. Vamos adiante. A sequência se dá a partir do momento que Devi descobre que seu celular só pode fazer ligações para um único número: pro dela mesmo. Ela aperta o botão enviar e manda uma mensagem pra ela mesma com 14 anos de idade. Pra Devi Caloura que está no primeiro ano do colegial. Own!! Como pode? Inicialmente Devi- a do futuro, ou seria na verdade do presente, acha aquilo um tanto esquisito, mas uma ideia lhe passa pela cabeça: E se ela pudesse interferir no seu passado para que seu futuro fosse diferente? E se ela pudesse riscar Bryan da sua vida? Pra que isso fosse possível Devi deveria interferir no seu passado e, pra isso ela deveria dizer a Devi – a caloura o que fazer. Devi tem o futuro em suas mãos. Ela só precisa que Devi- a caloura siga as suas instruções para que o futuro de ambas seja promissor. Mas será que isso daria certo? Interferir no passado pode trazer riscos não só para Devi como para todos os envolvidos. Bem, sei que isso também é óbvio, mas vamos dar mais um voto de confiança a Sarah. O ponto de partida foi dado. Sarah apresenta duas versões dos fatos. Os capítulos se alternam entre a narrativa de Devi – a veterana e Devi – a caloura. A diferença de idade entre ambas nem é tão distante assim, já que só se passaram três anos e meio, mas é notória a disparidade entre elas. A começar pela inversão comportamental de ambas. Apesar de ter apenas 14 anos de idade, Devi- a caloura é bem mais descolada que a Devi- veterana. Aliás, a veterana é tão imatura, tão egoísta que poderia ser facilmente banida da narrativa. Como é característica de narrativas do gênero o livro possui elementos secundários importantes que se destacam. Temos o grupo de amigas inseparáveis no qual Devi transita, Bryan – o garoto dos sonhos de toda adolescente além de toda a parafernália existente dentro de uma instituição escolar. A escrita de Sarah é ágil, fluída e isso torna a narrativa dinâmica. Até aproximadamente a metade do livro ela consegue arrancar boas risadas, mas com o decorrer da narrativa confesso que me senti por vezes entediada. Certas situações você até consegue imaginar e acredita no que está lendo, por mais que isso se trate de uma ficção, eu sei. Mas #peloamordeDeus não abuse da paciência do leitor. Devi – a veterana é tão irritante! Tão... @$@&*%# Pronto...me sinto bem melhor! No geral Sarah Mlynowski segue a cartilha direitinho e corresponde as expectativas dentro do possível. Me liga é um livro leve e sem muitas pretensões. Sua leitura não mudará sua vida, mas poderá lhe render boas risadas e claro, você poderá tirar proveito de algumas de suas mensagens tais como: não devemos interferir em nosso destino. O que passou já era. O que importa é o agora. Planejar o futuro faz parte, mas não devemos esquecer nossos valores, coisas do tipo. Apesar dos pesares valeu a experiência. Ainda que previsível, a autora soube surpreender em alguns momentos, errou em alguns, acertou em outros. Deu pra curtir o momento, pois sempre tiramos algo de bom de uma leitura. Valeu a pena conhecer o trabalho da autora e quem sabe não nos esbarramos novamente.
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