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    Der König verneigt sich und tötet -

    Herta Müller

    Fischer Taschenbuch Verlag
    2010
    248 páginas
    8h 16m
    ISBN-13: 9783596511556
    5
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    In diesen bewegenden autobiographischen Essays erzählt Herta Müller die Geschichte ihres Aufwachsend in Rumänien unter der Diktatur Ceausescus. Kindheit, Familie, das Alltagsleben in einem inselhaft isolierten deutschsprachigen Dorf sind der Hintergrund von Herta Müllers Erinnerungen und Selbstbefragungen. Zugleich steckt in diesen Essays die Geschichte eines Aufwachens mit der Sprache, in der Sprache, gegen die Sprache, die sich in der Diktatur im Handumdrehen gegen ihrer Sprecher wenden und zur tödlichen Falle werden kann - Sprache als Instrument der Herrschaft und Unterdrückung, aber zugleich auch als Möglichkeit des Widerstands und der Selbstbehauptung. Die ist ein Buch, in dem jedes Wort schwer wiegt. Es ist europäische Literatur vom Rang eines Aleksandar Tisma, Günter Grass, Imre Kertesz oder einer Ruth Klüger, die sich - nach dem Überleben einer Diktatur - Ers wieder eine neue Sprache erschreiben mussten, um das Erlebte - und eigentlich nicht Sangbare - mitteilen zu können. " Oft werde ich gefragt, warum in meinen Texten so oft der Friseur vorkommt. Der Friseur mißt die Haare, und die Haare messen das Leben." Herta Müller

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    Helena Frenzel picture
    Helena Frenzel15/02/2014Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Literatura de primeira grandeza - li e comprovei

    Trata-se de um conjunto de ensaios autobiográficos, uma amostra da riqueza do estilo e da força da escrita e experiências que deram a Herta Müller o devido reconhecimento através de vários prêmios literários, incluindo o Nobel de Literatura de 2009. Estes ensaios, segundo informações na edição que eu tenho, foram gerados a partir de palestras dadas pela autora em diferentes ocasiões. Herta Müller nasceu no seio de uma família e comunidade de origem alemã que existia (ou tentava sobreviver) na Romênia na época em que uma forte ditadura dominou o país. Em um dos ensaios, ela conta que, enquanto os trabalhadores comiam pão duro nas fábricas, o ditador usava talheres de ouro em suas refeições. Conta também que viu a ruína de muitas famílias que tiveram de entregar tudo o que produziam para o Estado, como a ruína de seu avô, antes um bem sucedido comerciante de grãos que, já quase no fim da vida, alimentava a família com as migalhas da produção que era obrigado a entregar para o único patrão: o Estado, que o remunerava muito mal. Conta também das perseguições sofridas, ameaças e tentativas de assassinato, a epidemia de sumiços e suicídios que justificou a partida de vários de seus amigos que, como ela, questionavam a situação. Na sinopse do livro ela conta que sempre lhe perguntavam por que 'cabeleireiro' era freqüentemente mencionado em seus escritos e ela respondia: o cabeleireiro mede o cabelo e o cabelo mede a vida. Então ela elucida que, na época de maior perseguição política, ela e seus amigos costumavam deixar fios de cabelo espalhados por vários lugares: dentro de livros, gavetas, armários. De modo que quando voltassem para casa no fim do dia de trabalho e encontrassem os fios fora do lugar, sabiam que o apartamento havia sido revistado pela polícia secreta do governo em busca de provas para acusa-los e prendê-los. Dentre os ensaios que mais gostei está um no qual ela fala de sua experiência num jardim de infância. Ela era uma professora que, devido à sua postura crítica ao regime, não era bem-vinda nas escolas e tinha muita dificuldade para encontrar trabalho. Estando uma das professoras doente, ela foi chamada, por pura falta de opção, a passar algumas semanas substituindo a 'camarada'. Ela conta que nestes poucos dias espantou-se com a eficácia do banho de ideologia que recebiam as crianças, tanto que nos de cinco anos já haviam acabado com toda a chance deles verem qualquer valor e necessidade no individualismo, nem mesmo uma simples canção infantil que lembrasse coisas da natureza, como a queda da neve, era permitido. Tudo era o Estado, o chefe supremo (o ditador), o coletivo (que só serve a poucos, como bem sabemos) e os abusos do nacionalismo. Ao final de algumas semanas ela alegrou-se com a volta da colega, pois se tivesse de passar mais algum tempo naquele quartel-mirim, em constante vigilância pelos 'pequenos camaradas', futuros agentes da vigilância do Estado, teria pedido demissão. Outro ensaio que muito me marcou foi um no qual ela conta a sua experiência quando chegou na Alemanha, fugida da Romênia. Embora o Alemão fosse a língua falada na família e em sua comunidade, a língua materna, não era a mesma língua falada na Alemanha que a abrigou. As palavras eram as mesmas, mas sentidos eram outros. Mesmo sendo alemã, sempre era perguntada de onde vinha, como se lhe faltasse o sotaque de um nativo e o jeito 'alemão' de pensar. Para ela isso foi uma revelação em vários sentidos e eu me vi calçando bem os seus sapatos porque o mesmo se deu comigo, ou algo muito parecido. Neste ensaio ela levanta questões de aceitação, tolerância e integração de culturas. É um dos ensaios mais ricos desta coleção. Dos textos até agora lidos, a escrita de Herta Müller deu-me a impressão de uma exatidão e agudeza impressionantes no que foi dito, não há sombra de tentativas ou intenções, há palavras-fatos, como se nenhuma delas fosse empregada em vão, e não é qualquer escritor que consegue isso, em minha humilde opinião; nenhuma palavra estaria nos textos fora de tempo, contexto ou lugar, tudo casa perfeitamente mas parece ter surgido naturalmente, sem plano, exalam a 'desengasgo', a falar aquilo que não podia ser dito nem ninguém antes ousara pronunciar porque não havia palavras para concretizá-lo, e neste aspecto ela maneja línguas, sentidos e palavras como se fossem pedras das quais extrai maná. Isso produz imagens fortes que marcam profundamente, sem violentar o leitor. A prosa é densa e maduramente lírica, trata da dor sem causar mais dor, causa alívio, faz pensar, gera incômodo e compreensão ao mesmo tempo, numa medida que transforma quem lê (aqui falo também da ficção, pois estou lendo Niederungen, seu primeiro romance). Não diria que a escrita de Herta é difícil, diria que é uma mistura de idéias magistralmente escritas, sem confusão. Pelo menos foi isso o que eu senti com a leitura desta coletânea de ensaios e de uma pequena parte de sua produção ficcional.

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    Herta Müller

    Herta Müller é uma escritora, poetisa e ensaísta alemã nascida na Romênia. Destaca-se pelos seus relatos acerca das duríssimas condições de vida na Romênia sob o regime político comunista de Nicolae Ceauşescu, vividas em sua juventude quando foi perseguida pelo governo ao recusar-se a colaborar com o serviço secreto. Como resultado, Hertha exilou-se na Alemanha, local onde construiu sua carreira literária (ela escreve em alemão). Foi casada com o escritor Richard Wagner. Em 2009, foi agraciada com o Nobel de Literatura por, "com a densidade da sua poesia e a franqueza da sua prosa, retratar o universo dos desapossados".

    28 Livros
    62 Seguidores
    Timiș, Romênia

    Herta Müller