A Carteira de Meu Tio -

    Joaquim Manuel de Macedo

    Hedra
    2010
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788577151684
    Português Brasileiro

    Publicada em 1855, bem depois e em tom muito diferente de A moreninha, esta obra é uma sátira que data da entrada de Macedo no núcleo político do Segundo Império. Em uma clara dissonância com sua novelística mais sentimental, Macedo, através da irônica figura do sobrinho de seu tio, se revela um fiel observador e cáustico crítico da corrupção e da impunidade.Desejoso de ingressar na carreira política, o sobrinho é obrigado pelo tio a empreender uma viagem pela Província do Rio de Janeiro para tomar conhecimento da realidade do país, e, durante a viagem, os problemas sociais vêm à tona a cada passo. Com tipos alegóricos como Paciência, representante da esperançosa e pacífica subordinação dos pobres, e Constante, fiel defensor do governo, o livro expõe, através da sátira, um cenário grotesco e ridículo, revelandouma outra faceta romântica, menos idealizada e mais presa ao mundo histórico e suas regras.

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    Felipe Souza Gonçalves21/12/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

     Eu não dava nada para este livro. Achei que seria mais uma obra pouco conhecida, exaustiva e de cunho filosófico que os vestibulares costumam cobrar. A Carteira de Meu Tio me surpreendeu de tal modo que o li nas duas vezes que o abri.  O autor, Joaquim Manuel de Macedo, nos conta a história de aprendizagem de um rapaz, sobrinho de um tio rico e o qual o influencia a vagar Brasil a dentro para sua formação como cidadão por um prisma político-constitucional. Por meio de situações simples e cotidianas o "sobrinho" aprende que a tal magnifica Constituição imposta por D. Pedro I em 1824 não é tão magnifica quando posta em prática. Com o auxilio do pobre porém sábio compadre Paciência o jovem fidalgo preenche a carteira de seu tio, uma espécie de diario de bordo com reflexões profundas, muitas vezes de cunho filosófico sobre desavenças entre as diversas classes sociais e as injustiças vividas pelos menos favorecidos. Em conclusão, o antes superficiall sobrinho aprende que antes do progresso material é preciso o progresso moral para que se tenha uma sociedade estruturada e plenamente fundada nos princípios de um constituição que pode sim ser magnifica.

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